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sábado, 31 de outubro de 2009

I miss you

À volta dela tudo é confusão, as pessoas movimentam-se rapidamente aliciadas pela euforia, a música torna praticamente impossível ouvir alguém lhe tenta dizer algo, as cores garridas prendem o seu olhar, assim como os diversos divertimentos característicos de feiras populares...
Ela tenta abstrair-se de todo este ambiente, perscrutando tudo com olhar, procurando aquela pessoa tão conhecida nos imensos rostos que a rodeiam, procurando a energia tão característica daquela pessoa que lhe faz tanta falta...
Já não a vê há um mês. Não. Ainda só passaram duas semanas desde que se viram pela última vez, mas o tempo parece passar cada vez mais devagar, separando-as por ainda mais tempo, parece que entre cada fim-de-semana não estão apenas 5 dias, mas 10 ou 15 dias, imenso tempo sem a ver, muito mais do que aquele que ela consegue suportar sem sentir a sua falta...
Procura no meio do ambiente de circo, e finalmente vê. A rapariga com cabelo arrapazado, com uma atitude incrivelmente despreocupada. Olham-se por instantes e percorrem a correr os metros que as separam. Inicialmente parece-lhe difícil mover-se mas em menos de um segundo já estão juntas, num abraço apertado, sentido...
Por mais que queira, por mais felicidade que ela sinta, não consegue evitar. Toda a saudade contida, todas as conversas breves ao telefone com despedidas repentinas, tudo isso culmina neste maravilhoso momento.
Ela sente-se ela. Encontra-se naquele abraço e chora. Chora...

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Chorar...

Houve uns dias em que decidi procurar umas citações de filósofos e escritores "famosos", desconhecidos para muitíssima gente, e encontrei uma que particularmente me interessou:

"E se não choras, de que costumas chorar?"

Eu sou uma chorona autentica e choro imenso quando estou sozinha, sou muito frágil apesar de às vezes não parecer, muitas vezes escondo a minha fragilidade com um sorriso para que as pessoas que me magoaram e magoam não se apercebam do mal que me fazem...

E esta frase levou-me a pensar como é que as pessoas que não são assim tão sentimentais como eu reagem às coisas, como é que vivem se não expressam praticamente aquilo que sentem, será que choram à noite, ou simplesmente se afastam completamente do mundo sem ninguém reparar limitando-se a uma existência elementar, baseada em relacionamentos ocasionais e amizades praticamente falsas, para não terem de mostrar o seu verdadeiro eu?

Decerto que há pessoas que simplesmente não se sentem à vontade de contar aos outros aquilo que se passa na sua vida, eu tenho necessidade de desabafar, tenho os meus amigos que estão dispostos a ouvir-me e a ver-me chorar muitas vezes, a ver-me chorar e esperar em silêncio que as lágrimas sequem, mesmo que eu não profira uma palavra e que eles simplesmente estejam ali, a ver-me naquele momento de fraqueza sinto-me protegida, sinto que alguém se preocupa comigo, alguém abdica do seu tempo para esperar por um sorriso meu.

Mas voltando à frase, a minha forma de a interpretar é muito simples, se tu não choras habitualmente, ou se não choras de todo, o que é que te magoaria o suficiente para te levar a chorar? Uma pessoa aparentemente inatingível, inquebrável, insuperável, porque é que chora? Será que chora quando já ninguém olha?

O que te faz chorar a ti?