please, let me go back, even if it's just for an hour, one hour, to remember you and live you. please
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
sábado, 27 de novembro de 2010
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
transparência
Gostava de poder dizer que te vejo, mas na realidade não. Gostava de te considerar transparente para mim mas continuas um enigma. Não posso dizer que sejas um reflexo de nenhuma outra pessoa que eu conheça, és apenas tu.
Portanto, não és um reflexo nem és transparente. Onde nos deixa isso? Talvez no meio, no intermédio, na fase do lusco-fusco em que a realidade se confunde com a imaginação, e aquilo que parece demasiado absurdo o consideramos erradamente falso. És portanto um puzzle, algo mais como um espelho ou um vidro partido em mil pedaços, vejo os pedaços mas não faço a menor ideia de como os devo unir, além de temrer magoar-me através desse processo.
Por vezes falas e parece que vejo algo mais, uma leve película retirada de todo esse teu eu, uma parede a menos, menos uma defesa. Instantes depois ela regressou e retomas o teu lugar estagnado, e eu recupero o desígnio de nunca ver através de ti, nem de nunca te ver a ti.
No fundo preferia que fosses semi-transparente comigo, como se te observasse através do fundo de um copo de água, distorcido mas mesmo assim reconhecível. Queria um pedaço de ti e tu não pareces disposto a dar-me isso. Queria que estivesses aqui, mesmo aqui, que fizesses notar a tua presença através de pormenores e que não parasses apenas aqui.
Gostava, mas a realidade é que tu ainda não deste oportunidade de recolher os teus fragmentos para que te pudesse compreender, e ao mesmo tempo roubaste-me os pequenos cristais, semelhantes a grãos de areia, necessários para garantir a coesão do teu reflexo.
Quero mais do que um vislumbre rápido. Apenas tens de me permitir correr o risco de me cortar nos fragmentos da tua imagem.
Portanto, não és um reflexo nem és transparente. Onde nos deixa isso? Talvez no meio, no intermédio, na fase do lusco-fusco em que a realidade se confunde com a imaginação, e aquilo que parece demasiado absurdo o consideramos erradamente falso. És portanto um puzzle, algo mais como um espelho ou um vidro partido em mil pedaços, vejo os pedaços mas não faço a menor ideia de como os devo unir, além de temrer magoar-me através desse processo.
Por vezes falas e parece que vejo algo mais, uma leve película retirada de todo esse teu eu, uma parede a menos, menos uma defesa. Instantes depois ela regressou e retomas o teu lugar estagnado, e eu recupero o desígnio de nunca ver através de ti, nem de nunca te ver a ti.
No fundo preferia que fosses semi-transparente comigo, como se te observasse através do fundo de um copo de água, distorcido mas mesmo assim reconhecível. Queria um pedaço de ti e tu não pareces disposto a dar-me isso. Queria que estivesses aqui, mesmo aqui, que fizesses notar a tua presença através de pormenores e que não parasses apenas aqui.
Gostava, mas a realidade é que tu ainda não deste oportunidade de recolher os teus fragmentos para que te pudesse compreender, e ao mesmo tempo roubaste-me os pequenos cristais, semelhantes a grãos de areia, necessários para garantir a coesão do teu reflexo.
Quero mais do que um vislumbre rápido. Apenas tens de me permitir correr o risco de me cortar nos fragmentos da tua imagem.
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
domingo, 21 de novembro de 2010
jeanne balibar
Ontem cruzei-me por instantes, numa tentativa rápida de zapping entre os 4 canais disponíveis na televisão dos meus avós, com uma cantora francesa num qualquer programa na rtp2. Depois de horas a ouvir de longe as novelas que a minha avó devora todas as noites, num intervalo daqueles de meia hora absolutamente intoleráveis mas agradecidos em situações como estas, encontrei esta senhora, Jeanne Balibar, com uma voz maravilhosa, profunda, numa língua linda e fluída.
Confesso que não percebo o que diz porque sou uma leiga em relação ao francês mas a sensação que transmite é suficiente para me arrebatar, transmite calma e paixão desmesurada ao mesmo tempo, atingindo o amâgo, vou provavelmente recorrer aos inúmeros sites que fornecem as traduções mal feitas destas das letras destas músicas que ultrapassam o meu entendimento.
Ainda bem que ontem decidi pegar no comando por instantes.
Confesso que não percebo o que diz porque sou uma leiga em relação ao francês mas a sensação que transmite é suficiente para me arrebatar, transmite calma e paixão desmesurada ao mesmo tempo, atingindo o amâgo, vou provavelmente recorrer aos inúmeros sites que fornecem as traduções mal feitas destas das letras destas músicas que ultrapassam o meu entendimento.
Ainda bem que ontem decidi pegar no comando por instantes.
girl interrupted
"Declared healthy and sent back into the world. My final diagnosis: A recovered borderline. What that means, l still don’t know. Was l ever crazy? Maybe. Or maybe life is. Crazy isn’t being broken or swallowing a dark secret. lt’s you or me, amplified. lf you ever told a lie and enjoyed it. lf you ever wished you could be a child forever."
domingo, 14 de novembro de 2010
Andrea Bocelli - Cantico
Este senhor preenche as minhas noites com um italiano lindíssimo que eu não percebo e que mesmo assim adoro.
Numa tentativa de saber o que realmente oiço decidi pegar no pequeno folheto com as letras e apesar de a nível de melodia esta música não me parecer completa e de não me arrebatar na plenitude depois de conhecer a letra toda ela fez sentido para mim. Aconselho a pesquisarem a letra porque é linda. Enjoy.
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
trufas
Tenho uma vontade imensa de comer trufas de chocolate, adoro-as, principalmente as de chocolate negro polvilhadas com chocolade por fora. OH, tenho de me deixar destas coisa. Estou capaz de devorar uma caixa de bombons.
Um autocarro. Uma viagem de uma hora no máximo, talvez mais se o motorista decidir desfrutar da falta de conforto do autocarro por mais alguns minutos.
Ela está sentada num dos bancos, mais ou menos a meio do autocarro, do lado da janela para poder ver os lugares a cruzarem-se com ela e a ficarem para trás.
- Desculpe menina, posso sentar-me aqui?
As pessoas raramente se dirigiam a ela, muito menos quando usava os headphones, por vezes fazia-o apenas para evitar que as pessoas se preocupassem em dirigir-lhe a palavra, mesmo que o seu único uso nesses instantes fosse a estaticidade nos seus ouvidos, nenhum som lhe chegava. Uma senhora entre os quarenta e os cinquenta, provavelmente, não o saberia dizer exactamente pela sua incapacidade de conseguir determinar a idade das pessoas, apenas não o conseguia fazer, dirigia-se a ela na esperança de ela lhe dizer que se podia sentar.
Não sentia necessidade de companhia, gostava das suas viagens de autocarro quando ninguém dava pela sua presença e podia ser qualquer pessoa, não apenas ela mas toda ela, sem limites pois ninguém importava.
Era demasiado educada para recusar e obrigar a senhora a sentar-se em outro banco, seria uma atitude demasiado rude para ela. Decidiu apenas sorrir e acenar afirmativamente.
-Obrigada.
Alguns minutos passaram e inevitavelmente a senhora dirigiu-se a ela:
-Para onde vai?
-Para o Porto, visitar uma amiga.
-Hmm. A complexidade da distância não se resume a apenas quilómetros.
Estas palavras foram quase para si própria e nem tanto para mim. O seu olhar focou-se num lugar distante regressando pouco depois.
-Sim, tem razão. O que acontece é que continuamos a tentar lutar as realidades mas acabamos sempre perseguidos por elas porque ao contrário do que julgamos não controlamos nada.
-Decerto que tu sendo ainda jovem ainda tens muito pela frente e muitas escolhas em que vais poder decidir livremente.
-Não. A verdade é que somos influenciados por tu e todos e nunca chegamos a decidir sozinhos. Decidimos em conformidade a um contexto, a um desejo exterior, a consequências que ainda não conhecemos, mas não nos cingimos àquilo que nós queremos. Vivemos oprimidos.
Um breve sorriso surge no rosto da senhora:
-Pareces bastante conhecedora da realidade, mas não o suficiente para seres capaz de demonstrar empiricamente tudo aquilo a que te referes.
Não esperara que inexplicavelmente a conversa entre ambas tivesse levado a uma tal argumentação, e não julgaria que esta senhora iria sequer demonstrar-se tão disposta a conversar sobre algo mais que o tempo. Não deveria julgar as pessoas pelas primeiras aparências que lhe transmitem, não era boa a julgar carácteres apenas com a apreciação das suas maneiras e aspecto.
-Não sei o que lhe responder. Poderia dizer que já vivi momentos dolorosos mas em nada se podem comparar com coisas que ainda poderei viver, não passam de dramas quase que irreais pelo seu absurdo.
-Eu compreendo que penses assim, mas cada pedaço de dor dói à sua maneira, independentemente da sua aparente insignificância.
-Provavelmente hoje vai ser a minha úlima viagem ao Porto. Provavelmente vou despedir-me definitivamente da minha amiga.
-Não percebo porque farias tal viagem para te despedires definitivamente. Não conheço essa noção de despedida definitiva.
A forma de trato da senhora passara do formal para algo mais casual, sem nunca perder o tom educado. Entretanto a jovem debatia-se para encontrar uma definição de despedida.
-Não posso terminar algo que foi importante sem o fazer directamente.
-Mas porque terias de acabar algo?
-Porque por vezes as coisas não são fáceis, e mesmo as boas amizades magoam e findam.
-Não, não, não. A amizade não é suposto ser constantemente boa, há maus momentos, há erros, e nenhum erro é indisculpácel.
-Eu sinto-me incapaz de permanecer feliz quando sou arrastada por uma amizade apenas mantida pelo hábito.
-Talvez, mas talvez estejas a destruir um alicerce da tua vida.
Nada mais se disse. Ambas sorriam apesar da inconclusividade de tal conversa. Estavam perdidas nos seus próprios pensamentos, revendo as suas vivências, conjecturando acerca do que as esperava. E entretanto a paisagem continuava a passar por elas e a ficar para trás... Nada de novo, ou talvez sim.
Ela está sentada num dos bancos, mais ou menos a meio do autocarro, do lado da janela para poder ver os lugares a cruzarem-se com ela e a ficarem para trás.
- Desculpe menina, posso sentar-me aqui?
As pessoas raramente se dirigiam a ela, muito menos quando usava os headphones, por vezes fazia-o apenas para evitar que as pessoas se preocupassem em dirigir-lhe a palavra, mesmo que o seu único uso nesses instantes fosse a estaticidade nos seus ouvidos, nenhum som lhe chegava. Uma senhora entre os quarenta e os cinquenta, provavelmente, não o saberia dizer exactamente pela sua incapacidade de conseguir determinar a idade das pessoas, apenas não o conseguia fazer, dirigia-se a ela na esperança de ela lhe dizer que se podia sentar.
Não sentia necessidade de companhia, gostava das suas viagens de autocarro quando ninguém dava pela sua presença e podia ser qualquer pessoa, não apenas ela mas toda ela, sem limites pois ninguém importava.
Era demasiado educada para recusar e obrigar a senhora a sentar-se em outro banco, seria uma atitude demasiado rude para ela. Decidiu apenas sorrir e acenar afirmativamente.
-Obrigada.
Alguns minutos passaram e inevitavelmente a senhora dirigiu-se a ela:
-Para onde vai?
-Para o Porto, visitar uma amiga.
-Hmm. A complexidade da distância não se resume a apenas quilómetros.
Estas palavras foram quase para si própria e nem tanto para mim. O seu olhar focou-se num lugar distante regressando pouco depois.
-Sim, tem razão. O que acontece é que continuamos a tentar lutar as realidades mas acabamos sempre perseguidos por elas porque ao contrário do que julgamos não controlamos nada.
-Decerto que tu sendo ainda jovem ainda tens muito pela frente e muitas escolhas em que vais poder decidir livremente.
-Não. A verdade é que somos influenciados por tu e todos e nunca chegamos a decidir sozinhos. Decidimos em conformidade a um contexto, a um desejo exterior, a consequências que ainda não conhecemos, mas não nos cingimos àquilo que nós queremos. Vivemos oprimidos.
Um breve sorriso surge no rosto da senhora:
-Pareces bastante conhecedora da realidade, mas não o suficiente para seres capaz de demonstrar empiricamente tudo aquilo a que te referes.
Não esperara que inexplicavelmente a conversa entre ambas tivesse levado a uma tal argumentação, e não julgaria que esta senhora iria sequer demonstrar-se tão disposta a conversar sobre algo mais que o tempo. Não deveria julgar as pessoas pelas primeiras aparências que lhe transmitem, não era boa a julgar carácteres apenas com a apreciação das suas maneiras e aspecto.
-Não sei o que lhe responder. Poderia dizer que já vivi momentos dolorosos mas em nada se podem comparar com coisas que ainda poderei viver, não passam de dramas quase que irreais pelo seu absurdo.
-Eu compreendo que penses assim, mas cada pedaço de dor dói à sua maneira, independentemente da sua aparente insignificância.
-Provavelmente hoje vai ser a minha úlima viagem ao Porto. Provavelmente vou despedir-me definitivamente da minha amiga.
-Não percebo porque farias tal viagem para te despedires definitivamente. Não conheço essa noção de despedida definitiva.
A forma de trato da senhora passara do formal para algo mais casual, sem nunca perder o tom educado. Entretanto a jovem debatia-se para encontrar uma definição de despedida.
-Não posso terminar algo que foi importante sem o fazer directamente.
-Mas porque terias de acabar algo?
-Porque por vezes as coisas não são fáceis, e mesmo as boas amizades magoam e findam.
-Não, não, não. A amizade não é suposto ser constantemente boa, há maus momentos, há erros, e nenhum erro é indisculpácel.
-Eu sinto-me incapaz de permanecer feliz quando sou arrastada por uma amizade apenas mantida pelo hábito.
-Talvez, mas talvez estejas a destruir um alicerce da tua vida.
Nada mais se disse. Ambas sorriam apesar da inconclusividade de tal conversa. Estavam perdidas nos seus próprios pensamentos, revendo as suas vivências, conjecturando acerca do que as esperava. E entretanto a paisagem continuava a passar por elas e a ficar para trás... Nada de novo, ou talvez sim.
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
domingo, 31 de outubro de 2010
memória
Duas crianças sentadas na mesa da cozinha, caladas, a sorrir puerilmente, impacientes, uma senhora junto à banca da cozinha e uma romã.
Parte-a em dois, divide-a cortando-a ligeiramente e depois afastando as duas metades com as mãos. Vai falando enquanto o faz, questionando as crianças acerca do jantar, do dia na escola de cada um, pergunta pelos seus amigos, o usual.
Entretanto corta mais uma vez cada uma das metades ficando à sua frente quatro quartos de uma romã. Para pessoas que nunca abriram uma romã, esta é feita por pequeninos gomos que se assemelham a lágrimas vermelhas, estão algo que aglomeradas e coladas às paredes em pequenas "colónias", sendo estas separadas por finas películas amargas com uma tonalidade entre o verde e o amarelo.
A senhora separa os pequenos gomos, retirando as películas e dispondo cada um destes numa taça de vidro, uma pequenina de sobremesa com a forma de uma maçã transparente cortada ao meio que ainda se encontra no mesmo armário da cozinha, na primeira prateleira.
Os pequenos rubis acumulam-se, os quatro quartos da romã são postos de parte quando já não apresentam vestígios de vermelho.
Dirige-se à gaveta ao lado do frigorífico e retira duas colheres, aleatórias e que eram provavelmente diferentes. Coloca-as na taça, enterrando-as ligeiramente.
As duas crianças rapidamente lhe retiram a taça das mãos regressando aos seus lugares. São um rapaz e uma rapariga, nesse dia provavelmente estariam no segundo ou terceiro ano da escola primária.
Ficam assim, sentados, a saborear a acidez inicial da romã, e o consequente sabor agradável e familiar de um fruto que as suas mães fielmente lhes preparavam quando chegava a sua época.
Alguns anos depois poucas pessoas nos associam um ao outro como conhecidos, muito menos como grandes amigos que ainda somos, aquele género de amigos que já não vemos muitas vezes porque seguimos caminhos completamente diferentes mas que de uma forma directa ou indirecta nos protegemos um ao outro. Ainda consigo ver aquele menino, daquele dia específico e de tantos outros, ainda me preocupo como antes e aquela amizade não é apenas uma memória.
Este menino que eu vi não chegou a quase ninguém, mas eu conheço-o, e neste momento apenas me apetece chamá-lo, preparar uma taça cheia de pequenos gomos vermelhos, mas ambos sabemos que já não é assim tão simples. Infelizmente.
Parte-a em dois, divide-a cortando-a ligeiramente e depois afastando as duas metades com as mãos. Vai falando enquanto o faz, questionando as crianças acerca do jantar, do dia na escola de cada um, pergunta pelos seus amigos, o usual.
Entretanto corta mais uma vez cada uma das metades ficando à sua frente quatro quartos de uma romã. Para pessoas que nunca abriram uma romã, esta é feita por pequeninos gomos que se assemelham a lágrimas vermelhas, estão algo que aglomeradas e coladas às paredes em pequenas "colónias", sendo estas separadas por finas películas amargas com uma tonalidade entre o verde e o amarelo.
A senhora separa os pequenos gomos, retirando as películas e dispondo cada um destes numa taça de vidro, uma pequenina de sobremesa com a forma de uma maçã transparente cortada ao meio que ainda se encontra no mesmo armário da cozinha, na primeira prateleira.
Os pequenos rubis acumulam-se, os quatro quartos da romã são postos de parte quando já não apresentam vestígios de vermelho.
Dirige-se à gaveta ao lado do frigorífico e retira duas colheres, aleatórias e que eram provavelmente diferentes. Coloca-as na taça, enterrando-as ligeiramente.
As duas crianças rapidamente lhe retiram a taça das mãos regressando aos seus lugares. São um rapaz e uma rapariga, nesse dia provavelmente estariam no segundo ou terceiro ano da escola primária.
Ficam assim, sentados, a saborear a acidez inicial da romã, e o consequente sabor agradável e familiar de um fruto que as suas mães fielmente lhes preparavam quando chegava a sua época.
Alguns anos depois poucas pessoas nos associam um ao outro como conhecidos, muito menos como grandes amigos que ainda somos, aquele género de amigos que já não vemos muitas vezes porque seguimos caminhos completamente diferentes mas que de uma forma directa ou indirecta nos protegemos um ao outro. Ainda consigo ver aquele menino, daquele dia específico e de tantos outros, ainda me preocupo como antes e aquela amizade não é apenas uma memória.
Este menino que eu vi não chegou a quase ninguém, mas eu conheço-o, e neste momento apenas me apetece chamá-lo, preparar uma taça cheia de pequenos gomos vermelhos, mas ambos sabemos que já não é assim tão simples. Infelizmente.
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
Numa situação destas as pessoas dir-me-iam para ultrapassar, que não é nada de mais, que está tudo bem, e no caso de eu reagir exactamente dessa maneira sem o mínimo de constrangimento, embaraço, dor, decerto que reconsiderariam grande parte do que acham que sabem acerca de mim.
A verdade é que a minha reacção foi exactamente essa: a não-reacção. A realidade é que estou bastante feliz, não sei porquê, podemos culpar as minhas últimas leituras, mas nelas constam alguns livros que não se podem chamar de particularmente alegres (como "O rapaz dos olhos azuis" ou mesmo "O Estrangeiro"), pode dever-se à música, mas ultimamente verifica-se uma grande fixação por Band of Horses e Simon and Garfunkel, e as melodias tendem a ser algo melancólicas, porém deixam-me feliz.
Nada mudou, pelo menos não que eu saiba o que me leva a concluir que se trata de uma questão de liberdade, de recomeçar outra vez, ou de simplesmente ficar no mesmo lugar, no mesmo metro quadrado de felicidade.
Sim, soa-me bem...
Não tenho a mínima necessidade de chorar, gritar, espernear ou lutar contra tudo o que está mal na minha vida (que neste momento sou incapaz de enunciar, porque não me ocorre nada) ou até relembrar tudo o que fiz e poderia ter mudado para o resultado ser diferente.
A questão é que é irrelevante fazê-lo, acabando mesmo num exercício inútil, e talvez não fosse amor, eu nunca afirmei perante mim mesma que era, mas era sincero, e regresso à minha teoria de me sentir ainda incapaz de amar, amar mesmo, não aqueles aligeirados romances adolescentes.
Talves isso seja bom, mas neste momento não consigo parar de sorrir e é-me possível afirmar convictamente que ISTO é algo de bom.
Share my happiness today. =)
A verdade é que a minha reacção foi exactamente essa: a não-reacção. A realidade é que estou bastante feliz, não sei porquê, podemos culpar as minhas últimas leituras, mas nelas constam alguns livros que não se podem chamar de particularmente alegres (como "O rapaz dos olhos azuis" ou mesmo "O Estrangeiro"), pode dever-se à música, mas ultimamente verifica-se uma grande fixação por Band of Horses e Simon and Garfunkel, e as melodias tendem a ser algo melancólicas, porém deixam-me feliz.
Nada mudou, pelo menos não que eu saiba o que me leva a concluir que se trata de uma questão de liberdade, de recomeçar outra vez, ou de simplesmente ficar no mesmo lugar, no mesmo metro quadrado de felicidade.
Sim, soa-me bem...
Não tenho a mínima necessidade de chorar, gritar, espernear ou lutar contra tudo o que está mal na minha vida (que neste momento sou incapaz de enunciar, porque não me ocorre nada) ou até relembrar tudo o que fiz e poderia ter mudado para o resultado ser diferente.
A questão é que é irrelevante fazê-lo, acabando mesmo num exercício inútil, e talvez não fosse amor, eu nunca afirmei perante mim mesma que era, mas era sincero, e regresso à minha teoria de me sentir ainda incapaz de amar, amar mesmo, não aqueles aligeirados romances adolescentes.
Talves isso seja bom, mas neste momento não consigo parar de sorrir e é-me possível afirmar convictamente que ISTO é algo de bom.
Share my happiness today. =)
sábado, 23 de outubro de 2010
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
domingo, 17 de outubro de 2010
sábado, 16 de outubro de 2010
"Não consigo. Não aguento. Sei que estás aí. Sei que estás extremamente próximo e mata-me a possibilidade de não te conseguir tocar. As barreiras entre nós denotam uma réstia do teu calor do outro lado, fazem com que chegue a mim a tua igual intenção de me alcançar. Sei que tal como eu anseias quebrar tudo o que intrepõe entre nós, mas na realidade isso é algo mais forte do que aquilo que aparenta. Não conseguimos mudar o mundo num dia, e não parecemos capazes de mudar isto agora.
Sei que estás aí. Acredito que sim. Com algum esforço consigo ouvir a tua repiração e o teu batimento cardíaco que parece sempre mais acelerado do que devia, quase que consigo sentir o toque da tua mão no meu rosto, de forma muito suave, e ao mesmo tempo um toque duro que me devolve à realidade de que não estás mesmo aqui. Estás algures, mas não aqui, e talvez não estejas como te imagino neste momento.
Sinto saudades da tua voz que sou incapaz de reproduzir mentalmente, apenas alguma palavras recorrentes, sílabas ligeiramente acentuadas...
Ainda estás aí? Será que me consegues ouvir e sentir a minha presença como pareço sentir a tua?"
Sei que estás aí. Acredito que sim. Com algum esforço consigo ouvir a tua repiração e o teu batimento cardíaco que parece sempre mais acelerado do que devia, quase que consigo sentir o toque da tua mão no meu rosto, de forma muito suave, e ao mesmo tempo um toque duro que me devolve à realidade de que não estás mesmo aqui. Estás algures, mas não aqui, e talvez não estejas como te imagino neste momento.
Sinto saudades da tua voz que sou incapaz de reproduzir mentalmente, apenas alguma palavras recorrentes, sílabas ligeiramente acentuadas...
Ainda estás aí? Será que me consegues ouvir e sentir a minha presença como pareço sentir a tua?"
choice
Conclusão birlhante: não vale a pena fugir e não vale a pena não fazer nada.
São esforços inúteis, até a estaticidade exige mais esforço do que aquele que merece.
Não nos encaminhamos para lado nenhum, independentemente de corrermos sem direcção aparente ou de não nos movermos de todo, a nulidade é a mesma. A questão crucial é que não podemos estar continuamente a fugir, principalmente porque acabamos a fugir de nós próprios mas sendo constantemente perseguidos pela nossa sombra, e ocupando sempre o mesmo metro quadrado não vivemos apenas... As pessoas passam por nós e apenas observamos, incapazes de reagir, petrificados pelo medo, pelas consequências, e se elas nem forem más? A preferência pela estabilidade não se sobrepõe às consequências benéficas que agir tem para nós.
Tudo o que acontece de bom não acontece por acaso, tem subjacente uma decisão de estar naquele lugar, dirigirmo-nos a uma determinada pessoa, pararmos para apertar um atacador olhar para cima e vermos alguém a observar-nos... E nesse instante ver a possibilidade de agir e perder por fracções de segundo o fim do impasse.
Porém o que nos prende a esta ilusão de segurança? As memórias? A verdade é que é mais fácil deixar alguém ir, o pior é lidar com a memórias que ficam, e consequentemente o medo de cair no mesmo padrão absurdo de autocomiseração e masoquismo.
Talvez não seja assim desta vez, mas os arrependimentos pesam-me nos ombros e tenho de decidir, não o que fazer mas quando o fazer.
São esforços inúteis, até a estaticidade exige mais esforço do que aquele que merece.
Não nos encaminhamos para lado nenhum, independentemente de corrermos sem direcção aparente ou de não nos movermos de todo, a nulidade é a mesma. A questão crucial é que não podemos estar continuamente a fugir, principalmente porque acabamos a fugir de nós próprios mas sendo constantemente perseguidos pela nossa sombra, e ocupando sempre o mesmo metro quadrado não vivemos apenas... As pessoas passam por nós e apenas observamos, incapazes de reagir, petrificados pelo medo, pelas consequências, e se elas nem forem más? A preferência pela estabilidade não se sobrepõe às consequências benéficas que agir tem para nós.
Tudo o que acontece de bom não acontece por acaso, tem subjacente uma decisão de estar naquele lugar, dirigirmo-nos a uma determinada pessoa, pararmos para apertar um atacador olhar para cima e vermos alguém a observar-nos... E nesse instante ver a possibilidade de agir e perder por fracções de segundo o fim do impasse.
Porém o que nos prende a esta ilusão de segurança? As memórias? A verdade é que é mais fácil deixar alguém ir, o pior é lidar com a memórias que ficam, e consequentemente o medo de cair no mesmo padrão absurdo de autocomiseração e masoquismo.
Talvez não seja assim desta vez, mas os arrependimentos pesam-me nos ombros e tenho de decidir, não o que fazer mas quando o fazer.
domingo, 19 de setembro de 2010
(regresso)
Em momentos em que simplesmente o tempo parece andar para trás, ou até acelerar, ou melhor, aqueles momentos em que estamos apenas acompanhados por nós próprios e pela nossa consciência, em que o tempo se torna apenas irrelevante... É nesses momentos que nos encontramos realmente com aquilo que somos.
O tempo pára, ou avança, ou simplesmente não existe e eu estou ali, deitada, estática, seguida pelo silvar suave do ar a sair e a entrar nos meus pulmões.
Para quem passe pode parecer que estou tomada pelo silêncio, mas estou antes perseguida pelo som das minhas palavras no meu consciente singular e privado, abstraída do mundo, num mundo só meu, com os olhos semicerrados para a realidade.
É neste ambiente que recordo, que altero memórias, penso no que devia ter feito e no que fiz, e depois de muito jogar com tudo aquilo que me torna o que sou acabo por regressar ao início por concluir que por mais que tente as memórias continuam as mesmas assim como eu continuo o reflexo delas.
As palavras que proferi continuam a ser diferentes das que pensei, os meus gestos menos harmoniosos do que os que vejo.
E que mal vejo em tudo isso?
Nenhum.
Portanto, nesse momento semicerro novamente os olhos deixando-me absorver pelo resquício de luz que ainda me cega ligeiramente, ou pela escuridão aconchegante que me embala e encaminha para um mundo aparte.
Aí planeio tudo o que poderia acontecer, sem ponderar as coisas que poderiam correr mal, fugindo à realidade de que tudo o que puder correr mal acontecerá mesmo.
E aí encontro-me. Sou capaz de me enfrentar a mim própria, de ver um reflexo mais verdadeiro que o de um espelho. Conversando comigo mesma arranjo maneira de fazer com que o relógio retome o seu ritmo, que volte a andar, que acelere, que continue apenas, à medida que abro os olhos, me ergo e vivo. Outra vez...
O tempo pára, ou avança, ou simplesmente não existe e eu estou ali, deitada, estática, seguida pelo silvar suave do ar a sair e a entrar nos meus pulmões.
Para quem passe pode parecer que estou tomada pelo silêncio, mas estou antes perseguida pelo som das minhas palavras no meu consciente singular e privado, abstraída do mundo, num mundo só meu, com os olhos semicerrados para a realidade.
É neste ambiente que recordo, que altero memórias, penso no que devia ter feito e no que fiz, e depois de muito jogar com tudo aquilo que me torna o que sou acabo por regressar ao início por concluir que por mais que tente as memórias continuam as mesmas assim como eu continuo o reflexo delas.
As palavras que proferi continuam a ser diferentes das que pensei, os meus gestos menos harmoniosos do que os que vejo.
E que mal vejo em tudo isso?
Nenhum.
Portanto, nesse momento semicerro novamente os olhos deixando-me absorver pelo resquício de luz que ainda me cega ligeiramente, ou pela escuridão aconchegante que me embala e encaminha para um mundo aparte.
Aí planeio tudo o que poderia acontecer, sem ponderar as coisas que poderiam correr mal, fugindo à realidade de que tudo o que puder correr mal acontecerá mesmo.
E aí encontro-me. Sou capaz de me enfrentar a mim própria, de ver um reflexo mais verdadeiro que o de um espelho. Conversando comigo mesma arranjo maneira de fazer com que o relógio retome o seu ritmo, que volte a andar, que acelere, que continue apenas, à medida que abro os olhos, me ergo e vivo. Outra vez...
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