sábado, 16 de janeiro de 2010

iris


Esta é de longe a minha música favorita, é perfeita em todos os sentidos, tem a letra mais linda de sempre, é lamechas, a voz dele é maravilhosa, entra na banda sonora de um filme extremamente lindo (A Cidade dos Anjos): iris dos Goo Goo Dolls.
A letra, e que linda, é esta:

And I'd give up forever to touch you
'Cause I know that you feel me somehow
You are the closest to heaven that I'll ever be
And I don't want to go home right now

And all I can taste is this moment
And all I can breathe is your life
'Cause sooner or later it's over
I just don't want to miss you tonight

And I don't want the world to see me
'Cause I don't think that they'd understand
When everything's made to be broken
I just want you to know who I am

And you can't fight the tears that ain't coming
Or the moment of truth in your lies
When everything feels like the movies
Yeah you bleed just to know you're alive

And I don't want the world to see me
'Cause I don't think that they'd understand
When everything's made to be broken
I just want you to know who I am

And I don't want the world to see me
'Cause I don't think that they'd understand
When everything's made to be broken
I just want you to know who I am

And I don't want the world to see me
'Cause I don't think that they'd understand
When everything's made to be broken
I just want you to know who I am
I just want you to know who I am
I just want you to know who I am
I just want you to know who I am

A versão mais linda da música é do CD que tenho deles, e é ainda mais perfeita que a normal, podem ouvir aqui. E para verem o videoclipe, que é o único vídeo em que o vocalista, que não é nenhuma beleza, até está girito vejam este. Quem me dera ter estado naquele concerto, música dos Goo Goo Dolls e imensa chuva, é definitivamente perfeito.
Espero que gostem

!

Hoje chorei, porque te magoei e porque tu também choraste. Porque significas o mundo para mim apesar de achares que tens o teu lugar em risco. Não isso não vai acontecer, e sabes por quê? Porque és a minha fufona, a pessoa que saiu de casa comigo e a quem me abracei quando tinha frio, a pessoa que estava no cubículo da casa de banho, às escuras a ouvir as minhas lamúrias, a outra apreciadora de capuccino, a pessoa com quem tenho um milhão de diferentes rituais que seguimos involuntariamente porque somos nós, porque és a pessoa que me babou a cama toda e que chorou abraçada a mim, porque me ajudaste sempre que precisei, porque gozas comigo constantemente, porque preciso das nossas conversas às duas da manhã, das nossas discussões parvas por nada, de gozarmos com toda a gente, porque viste "As Memórias de Uma Gueixa" mais de cinco vezes e eu nunca vi, porque não me emprestas o "Rebeca", porque discutimos a inutilidade dos machos no mundo natural, porque fomos juntas para Cambridge, porque  porque não podemos estar afastadas durante muito tempo sem somos umas cromas do pior juntas (mas que importa isso?), porque me conheces melhor que ninguém, porque sentimos umas saudades imensas e uma vontade imensa de conversarmos uma com a outra, porque estás sempre lá, porque me fazes mais falta do que imaginas, porque és das poucas pessoas interessantes que conheço, porque és maravilhosa assim como és, porque és minha amiga. Não, és mais que isso mas isso já sabes.
Porque gosto imenso de ti Sofia e tu nem sequer imaginas o quão mal me sinto quando te vejo chorar por minha causa, não mereço isso.

the scientist

Estou a ouvir "The Scientist" dos Coldplay e traz-me recordações dolorosas.
Naquela pontezinha sobre o rio, perto do moinho, trauteava praticamente num murmúrio a melodia, sibilando mentalmente a letra particularmente adequada à situação.
Enquanto as notas do piano me soavam na cabeça, nos meus ouvidos ecoavam palavras de deslumbramento da minha melhor amiga acerca da nova escola, das estátuas lindas do lado de fora do edifício central, aquele a longos e dolorosos quilometros de mim.
Tentava lidar com a ausência temporária dela, por enquanto, e com a presença perturbadora da pessoa de quem gostava profundamente e que me magoou imenso mais tarde, ao trair a confiança que tinha nas suas palavras e insinuações.
Equilibrando os sentimentos contraditórios tentava recomeçar tudo com ele, da forma correcta, se é que há uma forma certa de agir nestas situações, tal como na música.
Descalcei-me para descontrair e aproveitei aquele momento relaxado que tivemos, sozinhos, sem a tensão do que sentia e do que ele dizia sentir, mas que não passava de uma farça.
Esta música toca-me ainda mais considerando que a minha tarde descontraída e feliz foi não mais que uma tentativa falhada da parte dele de definitivamente afirmar que não sentia nada, algo que soube mais tarde e que me atingiu com uma intensidade inimaginável, dilacerando-me de forma irremediável por tempos que me pareceram infinitos, fatídicos, longos, melancólicos, tempos perdidos devido a uma fantasia minha que pode nem ter existido alguma vez, provavelmente ele nunca chegou a sentir nada, ao contrário do que afirmou.
Por vezes gosto de pensar que não fiz uma plena figura de parva ao acreditar que existia alguma coisa mais que a minha ilusão.
Só posso recordar e ouvir a música, esperando voltar ao princípio com uma pessoa diferente, alguém diferente, alguém que se importe. Um dia... Quem sabe...

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

SAPATOS!



Enquanto estava a esfolhear as minhas revistas encontrei estes pares de sapatos lindíssimos e não consegui conter o impulso de os partilhar convosco:

Da colecção de Bruno Frisoni "A Princess to Be a Queen"
Amei os detalhes, a cor, são perfeitos.



Os Louboutin que eu adoro, "Bridget Strass".

A minha vida (des)interessante - III

Estou mais uma vez parada, sozinha na sala vazia. Oiço a respiração sonora da minha irmã no quarto dela, um som que julgo ser a televisão no quarto dos meus pais e limito-me a reflectir acerca de tudo o que se passou.
Após uma discussão com uma duração moderada deixaram-me ir ao festival a Mira, sempre com a patente presença de álcool no dito festival e a possibilidade de poder descontrolar-me. Praticamente senti que me estavam a atirar à cara a minha irresponsabilidade que escondia em dormidas em casa de amigas, em horas extra na rua para conseguir ocultar as situações em que não queria que me vissem, como a rapariga (mesmo que ligeiramente) embriagada, descontrolada, desmedida.
Deixei-me disso, apesar das poucas vezes em que me encontrei nesta situação não gosto particularmente de não ter o controlo de mim mesma, de não conseguir medir aquilo que digo e faço.
Consegui apaziguar este sentimento de culpa, de irresponsabilidade e de falta de confiança por parte dos meus pais, após uma conversa realista e sincera com o meu pai, em que simplesmente constatámos a realidade daquilo que já fiz, que neste momento em nada me arrependo, mas aceitando a realidade de que é natural na minha idade.
Agradeço estas atitudes compreensivas de vez em quando, ajuda percebermos que apesar de terem a consciência do perigo de determinadas atitudes posso ter um apoio directo no caso de errar como decerto vai acontecer no futuro. A simples realidade.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Young-Choon Park

Acabei de chegar de um concerto de piano maravilhoso, com a pianista Young-Choon Park.
Confesso que quase saí de lá a chorar, comovida com a arte da pianista, a agilidade dos seus dedos, mas não sou a pessoa certa para falar da qualidade da arte do piano, não sendo conhecedora da mesma.
Uma amiga minha, essa sim podia comentar decentemente porque além de saber tocar conhece profundamente a arte do piano, os clássicos, tudo.
Se tiverem oportunidade de ir a algum concerto dela incito-vos a ir porque é uma experiência magnífica.
Saí de lá contrariada porque não me importava de ouvir as maravilhosas melodias de Chopin durante mais algumas horas.
O que me irritou profundamente foi a comparência de pessoas cujo interesse por música clássica é mínimo, que não apreciam e estavam para lá praticamente a dormir, a bocejar de forma odiosa, com os telemóveis a tocar, a desrespeitarem completamente a arte daquela maravilhosa pianista com tosses que podiam conter, espirros que poderiam evitar e mais um número interminável de atitudes desrespeituosas que podendo não perturbar a artista perturbam as pessoas que se tentavam deleitar com as notas agudas e graves, os ritmos alternados, a beleza indiscutível das partituras que ela tocava de memória, com um destreza arrebatadora que me impossibilitava completamente de bocejar, limitei-me a sorrir, alternando os momentos em que suspirava e estava praticamente à beira das lágrimas.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Mais uns livros

As minhas mais recentes aquisições literárias (a 5€ cada, que feliz fiquei):
"A dama das camélias" de Alexander Dumas
Para já a história é-me praticamente desconhecida mas a sinopse agradou-me, e estou decidida a ler autores mais clássicos. Quando ler dou a minha opinião acerca do livro.


"Orgulho e preconceito" - Jane Austen
Mais um livro da Jane Austen, adoro a história que conheço pela adaptação mais recente ao cinema, que tem uma banda sonora magnífica e está maravilhosamente lindo.
Quero mesmo ler este livro, adoro as personagens, as personalidades delas, mas estou ansiosa por ler o livro, mesmo a história original.


P.S.-Ainda não acabei "Sensibilidade e Bom-senso" mas estou praticamente a acabar, umas meras 60 páginas, e depois faço uma crítica definitiva à obra integral. Quero muito ler o "Emma" da Jane Austen também, o filme é muito bonito, com a Gwyneth Paltrow.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Tentativa de auto-retrato

(baseado no texto "Auto-retrato aos 56 anos" de Graciliano Ramos)

Chama-se Andreia.
Nasceu em Lisboa a 10 de Junho de 1994, mas considera-se de Chaves.
Chora quase todas as noites.
Gosta de dizer palavrões e fazer os outros rir.
Controla os seus próprios sonhos, menos o início.
Os seus pensamentos são a preto e branco.
Observa o vazio, olhando para nada à procura de tudo.
Tem poucos amigos, e os que não o são não passam de meros conhecidos.
Gosta de "Alice no país das Maravilhas" e "O Principezinho".
Espera ser psiquiatra.
Adora arte em geral, música, literatura, pintura, arquitectura, cinema, mas não se considera uma especialista em nenhuma das áreas.
Adora escrever e projecta-se sempre no papel.
Quando escreve adquire uma personalidade mais exagerada e sentimentalista.
Abomina pessoas hipócritas e mentirosas.
É uma romântica por natureza e ao mesmo tempo muito contida na forma de expressar o que sente em relação ao sexo oposto.
É perfeccionista e espera sempre mais de si própria.
As pessoas desiludem-na facilmente pois não espera delas menos do que de si própria.
Tem um sinal um pouco acima do rebordo esquerdo da boca, na ponta do nariz, na bochecha esquerda abaixo do olho.
Pensa mais na morte do que gostaria. Não se preocupa com a sua mas com a daqueles que são importantes para ela.
Nunca morreu ninguém de quem gostasse realmente. Nunca foi a um funeral.
Gosta de andar debaixo de chuva e caminhar descalça.
Adora o cheiro a terra molhada.
Ao escrever sente-se mais aliviada, vê tudo de uma forma mais clara.
Gosta de Goo Goo Dolls, Keane, Chopin, Schubert, Vivaldi, Bryan Adams, Plain White T's, Da Vinci, Klimt, Van Gogh, Monet, Manet, The Fray, Rembrandt, Renoir, Mozart, Beethoven, Yiruma, Magritte, Fragonard, Degas, Kafka, Carroll, Austen, Brontë, Botticelli, Exupéry, Joanne Harris, Wilde, Nora Roberts.
Adora Paris e gostava de viver lá um dia.
É uma apaixonada pela vida e para já é o seu único amor.
Sente-se muitas vezes perdida numa sociedade com valores trocados e completamente diferentes dos seus.
Gostava de ter vivido no Renascimento, é uma das suas épocas históricas favoritas.
Adora mitologia grega e abomina a romana que não é mais para si senão uma cópia da primeira, não conseguindo equiparar a sua beleza.
Gosta de debater os mais diversos assuntos e aprecia ouvir as opiniões de todos os que as tiverem.
Gosta de dormir de manhã mas pensa que fazê-lo de noite é uma perda de tempo, que com os seus horários tem de cumprir.
Teme fazer um profundo retrato de si mesma pelo medo daquilo que irá encontrar. Conhece-se e quer conhecer-se mais mas teme aquilo de que é realmente feita.
Não sabe o que acha de Deus, por agora.
Espera que o mundo não acabe em 2012 pois julga que ainda vai viver mais que isso.
Tem uma estranha fixação por sapatos e pela Vogue, não se considerando nada fútil.
Espera não adoecer, e ver-se a si própria a definhar lentamente.
Gostava de ser escritora mas muitas vezes não se considera capaz de escrever algo com um número suficiente de páginas para que o considerem um livro, que alguém queira mesmo ler.
Tem pena de não ter visto muito filmes antigos, como os clássicos com Marilyn Monroe e Audrey Hepburn, quando são alguns dos seus ícones de moda.
Considera-se frágil mas não gosta que pensem isso dela.
(Gosta muito das suas leitoras e espera que elas também gostem dela)

Inverno interminável

Ai o Inverno. O tempo está insuportável, algo propício a situações insólitas como a do outro dia. Hoje já não está a nevar mas está tanto frio como no outro dia, ou pelo menos parece, mas não o suficiente para necar a sério e as escolas fecharem.
As minhas mãos estão quase sempre geladas e apenas encontro algum conforto quando entro num café e bebo um chá ou uma outra bebida quente, é nesta altura que eu agradecia um Starbucks para carregar o capuccino pela cidade naqueles copos que ajudam bastante a aquecer as mãos. Não tenho vontade nenhuma de sair de casa para ir às aulas, mas neste momento parece que até me está a correr tudo bem, a matéria não é excessivamente difícil e mesmo com pouca atenção consigo assimilar tudo facilmente, quando lá estou até me sinto bem mas os confortáveis graus a mais do ambiente de minha casa deixam-me preguiçosa e com pouquíssima vontade de sair.
Enquanto tenho os pés completamente gelados só me apetece um chocolate quente bem docinho, talvez faça um daí a pouco. Às minhas leitoras só espero que não tenham um Inverno tão rigoroso e fatídico como o meu.

Neva de vez em quando mas não o suficiente para ter uma paisagem destas. É pena.

Why...



...can't we always have a happy ending?

Indecisão


Tenho medo de ter uma recaída, de voltar ao lugar onde já estive e de onde foi difícil sair.
Não quero voltar aos soluços incontroláveis durante longas noites, quase intermináveis, aos dias dolorosos que tinha de ultrapassar com apenas duas horas de sono, dias em que evitava tudo e todos para não ver os seus olhares a julgarem-me uma coitadinha, uma incorrespondida em relação aos sentimentos que nutria desde há muito tempo.
Estou num momento em que ainda julgo evitar regressar a este local onde não quero estar, ainda posso evitar a evolução da situação, de uma forma que não pude fazer da primeira vez. Não me imagino com ele, não da forma como somos, não o imagino comigo mesmo que chegasse algum dia a gostar de mim. não quero pensar mais nisto mas torna-se difícil quando inesperadamente uma janelinha se abre no meu computador e é ele, quando pego no telemóvel e tenho uma mensagem dele.
Tento evitá-lo mas parece que o vejo em todo o lado, não quero pensar assim porque já sei onde isto vai chegar, já sei como sou.
Talvez se me convencer que não o quero mais, que apenas me interessei por ser a única pessoa cativante que tinha entrado na minha turma, e uma das poucas companhias masculinas agradáveis.
Quem sabe esta paixoneta se deva à minha necessidade algo desesperada de encontrar alguém que consiga preencher este vazio que prevalece mesmo que o tente evitar custosamente. Não estou desesperada, apenas à espera de encontrar uma pessoa que me percebe, que tenha um nível elevado de maturidade, algo que me parece cada vez mais improvável nos adolescentes de hoje em dia.
Faz-me falta uma companhia algo mais adulta, mais madura, mais completa, que me ajude com os meus dilemas e não me prenda apenas nos seus, como o narcisismo que atingiu a população mundial entre os 12 e 18 anos, não sei como é possível tal culto de si próprios que se esqueçam dessa forma de formar uma personalidade interessante, ficando cada vez mais para trás, mais imaturos, mais perdidos na realidade alternativa que é a escola secundária.
Vou tentar ultrapassar esta crise amorosa, de indecisão crónica acerca do que quero realmente. Falta-me sensatez, tenho-a mas em doses demasiado reduzidas para a escolha que estou prestes a fazer.

Estou a apaixonar-me e não devia fazê-lo.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Segredos

Estou numa de reflectir sobre as pessoas.
Porque é que temos segredos? Porque é que há coisas que simplesmente somos incapazes de contar a outra pessoa? Deve-se ao medo de nos julgarem pelos nossos pensamentos mais secretos e obscuros ou porque nos queremos proteger, proteger o nosso íntimo das pessoas que mesmo sendo próximas ainda são capazes de nos magoar?
Não sei o que pensar, mas será que um segredo apenas porque o partilhamos deixa de ser um segredo? Mesmo que seja apenas contado a apenas uma pessoa?
Ultimamente tenho-me escondido cada vez mais em mim própria, tenho cada vez mais segredos.
Muitos até gostava de os partilhar, mas apartir do momento em que se partilha algo estamos a assumir a sua veracidade e é impossível escondê-los novamente, esquecê-los.
Quando não guardamos as coisas só para nós acabamos por de uma forma ou de outra por ver os nossos segredos a chegarem a pessoas que não queríamos, por acidente ou má intenção.
Somos os únicos verdadeiramente capazes de guardar os nosso próprios segredos porque a partir do momento em que mais alguém sabe estamos em risco, por mais que confiemos na pessoa que agora detem essa informação, não podemos estar plenamente certos da sua conduta, até porque essa pessoa pode nem ter conhecimento do significado da questão para si.
Basicamente, a partir de hoje os meus segredos são meus, é demasiado arriscado quando coisas que nem eu própria julgo importantes se encontram na mão de outra pessoa, e essa pessoa tem a capacidade de as divulgar se assim entender.
Espero não ferir ninguém com a minha opinião mas só estamos realmente seguros conosco próprios.

Estou farta de neve

Hoje foi um dia particularmente mau.
Estive na aldeia dos meus avós maternos. Voltámos para Chaves depois de almoço, e como o carro tem andado meio parvo decidiu avariar quase no princípio, mas quando já estávamos suficientemente longe de casa dos meus avós para voltarmos.
O meu pai lá se esforçou para pôr o carro a voltar a trabalhar e durante uma hora, andávamos 50 metros e o carro ia-se...
Já comentei que estava a nevar imenso? Pois, estava tudo coberto por um manto de neve quase uniforme, os vidros do carro gelavam facilmente, a estrada estava escorregadia, continuava a nevar continuamente, Basicamente: fantástico.
Depois o carro parou definitivamente, e adivinhem? Durante o caminho todo tínhamos parado em locais onde havia casas, um café, uma bomba de gasolina, mas o carro decidiu parar definitivamente num lugar onde não havia nada, tudo completamente branco para a direita, tudo completamente branco para a esquerda, estrada interminável para trás e para a frente, também a ficar branca.
Os carros passavam e a sua consciência e boa vontade não era suficiente para pararem e perguntarem se queríamos ajuda.
Ligámos ao serviço de assistência que nos informaram que iam demorar mais ou menos uma hora se conseguissem passar, mais uma maravilhosa notícia.
Basicamente passei duas horas à espera do reboque com a minha irmã e os meus pais, dentro do carro, a tentar não entrar em hipotermia, com dois pares de meias e os pés ainda assim gelados e a ler "Sensibilidade e Bom Senso" para passar o tempo.
O táxi chegou primeiro que o reboque, duas horas depois da suposta chamada, o branco estava cada vez mais branco, o ar cada vez mais frio.
Mas a estrada à frente estava cortada portanto também não íamos conseguir passar de táxi. Felizmente um primo nosso passou nesse momento com um gipe. O carro ficou lá no meio do nada, com o taxista que também era dono do reboque à espera que esse nos levasse o carro e nós fomos para Chaves no gipe.
Ainda agora me dói a cabeça. Maldita neve.
A única coisa boa é que amanhã muito provavelmente não tenho aulas... Muahaha.

Mais um selinho

Mais um selinho lindo da S.
Muito obrigada, é mesmo bonito.



E dou este selinho a todos os que passarem pelo meu blogue e o queiram para si, e principalmente para os meus seguidores e leitores frequentes.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Silêncio impenetrável

"Acordo, mais uma vez, com o toque da minha mãe no meu ombro.
Abana-me violentamente para que desperte, mas não o quero fazer, não quero voltar para esta sociedade na qual me sinto tão deslocada e com razão.
A minha mãe como sempre fala, e eu como sempre não oiço, melhor dizendo não sou capaz de o fazer.
Não quero que me vejam como uma coitadinha que não tem a capacidade de ouvir, uma pessoa surda que merece a compaixão de toda a gente, mas não sou isso. Para evitar estas situações de condescendência não me esqueço de colocar os discretos auriculares nos ouvidos para que pensem que estou apenas desatenta.
Cruzo-me com milhões de pessoas e só consigo pensar na altura agradável em que ainda era capaz de ouvir o que diziam, em que não tinha de me esforçar por reparar no movimento dos seus lábios para perceber as palavras que proferiam quando antigamente nunca me preocupara em fazê-lo.
Desde que perdi a minha capacidade auditiva que tudo me pareceu diferente, mas nada havia mudado, apenas eu. Chorei durante dias pela impossibilidade de ouvir música e de ouvir a chuva a bater na janela, restava-me apenas caminhar até à rua e sentí-la cair, a incapacidade de ouvir o meu próprio choro patético, por nunca mais poder ouvir ninguém a dizer que me ama, posso ver uma pessoa a representar essas palavras com as mãos, escritas num papel ou até lê-las nos lábios de alguém, mas não poderei ouvi-las, e como posso saber que são reais se não o posso fazer?
A única música que oiço são as melodias do meu pensamento, os sons que ainda consigo reproduzir mentalmente, a que me agarro afincadamente mas que começam a esvair-se, a perder-se algures pelo caminho, um dia destes a minha vida vai ser finalmente apoderada na totalidade pelo silêncio que agora abomino, não conseguirei viver depois desse dia.
Talvez isto seja uma despedida, ou quem sabe não. As pessoas que antes queriam estar comigo agora esforçam-se por não se cruzar comigo para não terem de me dirigir a palavra e se esforçarem por me compreender. Perdi a capacidade de ter conversas com todos, já poucos se interessam realmente em ouvir-me, ao contrário dos muitos que páram para me perguntar se está tudo bem apenas para sentirem que fizeram uma boa acção ao falarem com a rapariga surda.
Entretanto fechei-me nos livros, li mais do que alguma vez tinha feito anteriormente, tenho suficiente tempo livre para isso... Não me posso dedicar à música, o violino ficou definitivamente pousado no cimo do armário pois não tenho coragem suficiente para me despedir dele e devolvê-lo e não tenho paciência suficiente para sem ouvir o que toco me esforçar imensamente, lutando contra o impossível, tocando com a minha surdez.
Eu conseguiria viver se as pessoas que me conhecem não tivessem pena da situação em que me encontro, se os meus "amigos" o fossem o suficiente para tentar lidar com a situação assim como eu tive de lidar, amizade profunda posso dizer.
Provavelmente quem ler isto vai achar-me profundamente patética por me lamentar desta forma mas nada me resta senão fazê-lo.
Gostava de no outro dia ter tido coragem suficiente para empurrar a lâmina mais profundamente na minha pele mas não o consegui fazer, como ficaria a minha mãe nesta situação? Pode ser que algum dia um qualquer médico consigo encontrar uma forma de resolver esta situação, ou pelo menos com um qualquer estudo estapafúrdio conseguir que eu tenha a sensação de som novamente através de choques eléctricos no cérebro ou sei lá...
Muito do que me definia antes relacionava-se com a minha capacidade de ouvir, muito focava-se na minha paixão pelos sons de todos os lugares, e agora eles continuam lá mas eu já não tenho capacidade de os ouvir, com a minha surdez perdi também essa parte da minha personalidade e a oportunidade de mostrar a outra ao mundo. Só me resta escrever sobre um mundo sem som, onde as descrições são meramente visuais e as auditivas se baseiam na minha capacidade imaginativa de como será ouvir realmente a água de um rio a correr ou a simples voz de uma pessoa."

O meu continho

Tenho definitivamente de falar disto. Para quem não sabe no ano passado concorri a um concurso de Jovens Escritores. Por um milagre ganhei entre os milhares de participantes e era suposto publicarem a história. Pensei que pensavam fazer um livro mas os espertinhos decidiram publicá-lo online...
A minha é a segunda história e para quem estiver interessado está aqui. Se quiserem digam-me depois o que acharam. Vou agora lê-la outra vez para ver se não alteraram muito a minha história.
Beijos*

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Marianne ou Elinor?

Estou a ler "Sensibilidade e Bom Senso" de Jane Austen. Estou praticamente no princípio, ainda, mas já me começo a questionar acerca de como lido com estas situações amorosas. Serei mais sensível ou sensata? Identifico-me mais com a paixão desmesurada de Marianne ou com o controlo inabalável de Elinor?
Nestas questões estamos todas (feminino porque penso que isto não se aplica em geral aos homens) condicionadas pelo dito coração e pelo cérebro. Devemos deixar-nos levar quando tudo parece que vai correr mal ou contermo-nos, perdermos memórias que nos marcariam como todas fazem optando por não viver?
Eu sou naturalmente impulsiva, tenho tendência a decidir as coisas no momento mas mesmo assim ainda pondero exaustivamente nos segundos que antecedem a escolha. Mas quando se trata do dito "amor", que acho que não lhe posso chamar isso na minha idade no meu caso, penso imenso, imagino tudo ao pormenor, as consequências de cada palavra que vou dizer, de cada decisão que tomo. Escondo muitas vezes o que sinto, mostrando-o apenas subtilmente para ver um lampejo da reacção da outra pessoa, para não me atirar de cabeça para o vazio porque isso nunca pode correr bem.
Mas quando sinto que a outra pessoa nutre algum afecto por mim dou-me por inteiro, demasiado provavelmente, porque o que geralmente acontece é que saio magoada da situação.
Com as relações que correram mal fiquei cada vez mais "Elinor", mais fechada e contida, amando com igual intensidade que a irmã, mas sendo-lhe impossível demonstrar tal afecto por medo de sofrer e por respeito às regras sociais, algo absurdas da época.
Quem me dera ser mais "Marianne" por vezes, talvez encontre uma maneira de voltar a transparecer essa minha faceta.

P.S: Desculpem a imagem mas não arranjei nenhuma decente da capa do livro. Quando acabar de ler faço uma apreciação global. Beijos*

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Desabafos de uma engripada

Naqueles dias em que não fazemos nada nem temos disposição para o fazer o que é suposto fazermos? Quando a casa está vazia e ninguém nos olha, quando estamos sozinhos, com a cabeça a latejar, a garganta irritada, seca, que nos magoa de cada vez que engolimos a nossa própria saliva, o que devemos fazer? O que devo fazer?
A simplicidade do meu dia passou-se a deambular pelo corredor único da casa, de divisão em divisão, tentando encontrar algo de interessante em que focar a minha atenção fora a enxaqueca que me abalava e me fizera ficar em casa, encerrada entre quatro paredes ainda mais redutoras que o ambiente que me rodeia do outro lado da porta da casa.
Não me interessa sequer olhar pela janela pois nada de interesse decorre na monotonia desta rampa ladeada de casas, um carro de 20 em 20 minutos ou num período mais espaçado, pessoas que correm a almoçar em casa, regressam e saem novamente, enquanto eu estou encarcerada.
É nestes momentos que preferia não ser eu, ser uma pessoa que na ausência de outra coisa para fazer não reflecte sobre tudo e mais alguma coisa, tirando conclusões erradas, suposições negativas, pensamentos redutores que ninguém ouve portanto ninguém é capaz de contrariar.
Tentei escrever, mas a folha de papel vazia à minha frente é assustadoramente clara, obscuramente impossivel de preencher com o ânimo que se apodera de mim no momento, inalcançável do ponto de vista de uma rapariga engripada a tentar fugir à acção de "não fazer nada".
Finalmente decidi ceder e deitar-me perdedoramente na cama a ouvir música, de maneira preguiçosa, tentando que o tempo passasse mais depressa, para que o silêncio acabasse, para que a tarde chegasse ao fim e finalmente pudesse disfrutar de alguma companhia que não a minha chávena amarela, que me aquece a garganta com o líquido quente e aconchegante que sorvo dela, e o odor a caramelo e baunilha que suavemente obstrui as minhas narinas torturadas por lenços de papel que se amontoam nos meus bolsos.
Como queria não estar doente. Maldita gripe.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Nadando à chuva





Vagueio sem rumo numa cidade chuvosa. Quando saí de casa estava um sol imenso e quente que nos mostrava o Verão que eu conheço. Mas o Verão aqui é diferente.
"Já não estás mais em casa, Andreia. já devias saber isso."
Aqui as casas são estreitas e altas, parece que todas se empurram umas às outras, comprimindo-se cada vez mais, enquanto crescem para o céu.
As nuvens plúmbeas confirmam a chuva eminente, que eu senti com um arrepio na coluna, quando saí de casa, desci os curtos degraus e inspirei uma longa lufada de ar fresco.
A senhora que antes se despedira de mim desde a soleira da porta com um adeus numa língua que não é a minha mas que consigo perceber já se refugiara novamente no calor confortável da sua casa.
Visto a gabardine amarela que tinha guardada na mochila como último recurso a este tempo instável de Cambridge.
Corro as ruas sem reconhecer um rosto, mas isso não importa, gosto da sensação de solidão deliberada, da capacidade de me distrair de todos os olhares que se fixam em mim reprovadoramente, enquanto perscruto tudo e todos com os meus olhos castanhos, maravilhados com a simplicidade de tudo e de nada.
Há lojas mais à frente e os maravilhosos músicos de rua que me iluminam o rosto instantanemente, com as suas melodias, apenas suas, sem se venderem à sociedade, garantindo a todos um prazer instantâneo sem pedirem nada em troca necessariamente, mas esta minha fixação por músicos de rua é outra história.
Passo por um jardim e sento-me a observar as crianças que passam a correr falando com um sotaque britânico adorável. Uma menininha fixa-se em mim, talvez parece lhe pareça estranha, de outro sítio, e sou, mas não julgava que estivesse tão presente para quem se cruza comigo. A menina correu a apanhar uma florzinha amarela e colocou-ma na orelha.
"This matches with your raincoat. You should smile more, you know?"
Sim, eu sei que devia sorrir mais mas é praticamente impossível manter um sorriso constante.
Ela partiu entre o meu pensamento comigo mesma e o meu obrigado no português que não consegui controlar.
Continuei a minha viagem e parei numa ponte que se erguia sobre um pequenino rio, aliás, uns canais estreitos que ladeavam a famosa universidade.
Olhei o meu reflexo e pensei comigo mesma que precisava mesmo de sorrir. Começou a chover.
Sorri aí, tirei a gabardina e saltei para a água. Não era muito profunda, estava gelada, quase sufocante. Com isto as pessoas que desenfreadamente corriam para escaparem à chuva, em cima dos seus saltos altos, cobrindo o os cabelos que tão aprumadamente tinham arranjado, e olhavam-me em vislumbres rápidos, condenando a estrangeira que contrariava a realidade pacata das pessoas mundanas.
A menina passou pela ponte e sorriu para mim.
"That's a smile."

Quero voar no meu guarda-chuva



Quero voar para um sítio que me interesse, onde as pessoas se interessem por mim e me interessem, onde não seja apenas mais uma rapariga de calças largas a deambular pelos corredores esperando que alguém se digne a dirigir-lhe a palavra.
A situação não é bem assim, tenho amigos, não vão as pessoas pensar que sou uma isolada, anti-social, mas faz-me falta gente nova, pessoas que me falem de coisas que não conheço, a quem possa mostrar aquilo que sou sem ter medo por saber que vou ser julgada.
Estou a pensar em aproveitar o vento lá fora, e voar com o ar e a chuva, estender o meu guarda-chuva e voar para um lugar distante, percorrer lugares em instantes fugazes, agarrando-me ao meu guarda-chuva vermelho, uma cor indistinta entre as nuvens que agora cobrem completamente o céu.
Quero fugir à rotina. Já que provavelmente o meu guarda-chuva não vai levantar voo, aproveito e sou diferente com a cor garrida dele, alguma utilidade há-de ter, porque a chuva eu passo bem com ela, até a agradeço.