domingo, 10 de janeiro de 2010

Mais um selinho

Mais um selinho lindo da S.
Muito obrigada, é mesmo bonito.



E dou este selinho a todos os que passarem pelo meu blogue e o queiram para si, e principalmente para os meus seguidores e leitores frequentes.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Silêncio impenetrável

"Acordo, mais uma vez, com o toque da minha mãe no meu ombro.
Abana-me violentamente para que desperte, mas não o quero fazer, não quero voltar para esta sociedade na qual me sinto tão deslocada e com razão.
A minha mãe como sempre fala, e eu como sempre não oiço, melhor dizendo não sou capaz de o fazer.
Não quero que me vejam como uma coitadinha que não tem a capacidade de ouvir, uma pessoa surda que merece a compaixão de toda a gente, mas não sou isso. Para evitar estas situações de condescendência não me esqueço de colocar os discretos auriculares nos ouvidos para que pensem que estou apenas desatenta.
Cruzo-me com milhões de pessoas e só consigo pensar na altura agradável em que ainda era capaz de ouvir o que diziam, em que não tinha de me esforçar por reparar no movimento dos seus lábios para perceber as palavras que proferiam quando antigamente nunca me preocupara em fazê-lo.
Desde que perdi a minha capacidade auditiva que tudo me pareceu diferente, mas nada havia mudado, apenas eu. Chorei durante dias pela impossibilidade de ouvir música e de ouvir a chuva a bater na janela, restava-me apenas caminhar até à rua e sentí-la cair, a incapacidade de ouvir o meu próprio choro patético, por nunca mais poder ouvir ninguém a dizer que me ama, posso ver uma pessoa a representar essas palavras com as mãos, escritas num papel ou até lê-las nos lábios de alguém, mas não poderei ouvi-las, e como posso saber que são reais se não o posso fazer?
A única música que oiço são as melodias do meu pensamento, os sons que ainda consigo reproduzir mentalmente, a que me agarro afincadamente mas que começam a esvair-se, a perder-se algures pelo caminho, um dia destes a minha vida vai ser finalmente apoderada na totalidade pelo silêncio que agora abomino, não conseguirei viver depois desse dia.
Talvez isto seja uma despedida, ou quem sabe não. As pessoas que antes queriam estar comigo agora esforçam-se por não se cruzar comigo para não terem de me dirigir a palavra e se esforçarem por me compreender. Perdi a capacidade de ter conversas com todos, já poucos se interessam realmente em ouvir-me, ao contrário dos muitos que páram para me perguntar se está tudo bem apenas para sentirem que fizeram uma boa acção ao falarem com a rapariga surda.
Entretanto fechei-me nos livros, li mais do que alguma vez tinha feito anteriormente, tenho suficiente tempo livre para isso... Não me posso dedicar à música, o violino ficou definitivamente pousado no cimo do armário pois não tenho coragem suficiente para me despedir dele e devolvê-lo e não tenho paciência suficiente para sem ouvir o que toco me esforçar imensamente, lutando contra o impossível, tocando com a minha surdez.
Eu conseguiria viver se as pessoas que me conhecem não tivessem pena da situação em que me encontro, se os meus "amigos" o fossem o suficiente para tentar lidar com a situação assim como eu tive de lidar, amizade profunda posso dizer.
Provavelmente quem ler isto vai achar-me profundamente patética por me lamentar desta forma mas nada me resta senão fazê-lo.
Gostava de no outro dia ter tido coragem suficiente para empurrar a lâmina mais profundamente na minha pele mas não o consegui fazer, como ficaria a minha mãe nesta situação? Pode ser que algum dia um qualquer médico consigo encontrar uma forma de resolver esta situação, ou pelo menos com um qualquer estudo estapafúrdio conseguir que eu tenha a sensação de som novamente através de choques eléctricos no cérebro ou sei lá...
Muito do que me definia antes relacionava-se com a minha capacidade de ouvir, muito focava-se na minha paixão pelos sons de todos os lugares, e agora eles continuam lá mas eu já não tenho capacidade de os ouvir, com a minha surdez perdi também essa parte da minha personalidade e a oportunidade de mostrar a outra ao mundo. Só me resta escrever sobre um mundo sem som, onde as descrições são meramente visuais e as auditivas se baseiam na minha capacidade imaginativa de como será ouvir realmente a água de um rio a correr ou a simples voz de uma pessoa."

O meu continho

Tenho definitivamente de falar disto. Para quem não sabe no ano passado concorri a um concurso de Jovens Escritores. Por um milagre ganhei entre os milhares de participantes e era suposto publicarem a história. Pensei que pensavam fazer um livro mas os espertinhos decidiram publicá-lo online...
A minha é a segunda história e para quem estiver interessado está aqui. Se quiserem digam-me depois o que acharam. Vou agora lê-la outra vez para ver se não alteraram muito a minha história.
Beijos*

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Marianne ou Elinor?

Estou a ler "Sensibilidade e Bom Senso" de Jane Austen. Estou praticamente no princípio, ainda, mas já me começo a questionar acerca de como lido com estas situações amorosas. Serei mais sensível ou sensata? Identifico-me mais com a paixão desmesurada de Marianne ou com o controlo inabalável de Elinor?
Nestas questões estamos todas (feminino porque penso que isto não se aplica em geral aos homens) condicionadas pelo dito coração e pelo cérebro. Devemos deixar-nos levar quando tudo parece que vai correr mal ou contermo-nos, perdermos memórias que nos marcariam como todas fazem optando por não viver?
Eu sou naturalmente impulsiva, tenho tendência a decidir as coisas no momento mas mesmo assim ainda pondero exaustivamente nos segundos que antecedem a escolha. Mas quando se trata do dito "amor", que acho que não lhe posso chamar isso na minha idade no meu caso, penso imenso, imagino tudo ao pormenor, as consequências de cada palavra que vou dizer, de cada decisão que tomo. Escondo muitas vezes o que sinto, mostrando-o apenas subtilmente para ver um lampejo da reacção da outra pessoa, para não me atirar de cabeça para o vazio porque isso nunca pode correr bem.
Mas quando sinto que a outra pessoa nutre algum afecto por mim dou-me por inteiro, demasiado provavelmente, porque o que geralmente acontece é que saio magoada da situação.
Com as relações que correram mal fiquei cada vez mais "Elinor", mais fechada e contida, amando com igual intensidade que a irmã, mas sendo-lhe impossível demonstrar tal afecto por medo de sofrer e por respeito às regras sociais, algo absurdas da época.
Quem me dera ser mais "Marianne" por vezes, talvez encontre uma maneira de voltar a transparecer essa minha faceta.

P.S: Desculpem a imagem mas não arranjei nenhuma decente da capa do livro. Quando acabar de ler faço uma apreciação global. Beijos*

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Desabafos de uma engripada

Naqueles dias em que não fazemos nada nem temos disposição para o fazer o que é suposto fazermos? Quando a casa está vazia e ninguém nos olha, quando estamos sozinhos, com a cabeça a latejar, a garganta irritada, seca, que nos magoa de cada vez que engolimos a nossa própria saliva, o que devemos fazer? O que devo fazer?
A simplicidade do meu dia passou-se a deambular pelo corredor único da casa, de divisão em divisão, tentando encontrar algo de interessante em que focar a minha atenção fora a enxaqueca que me abalava e me fizera ficar em casa, encerrada entre quatro paredes ainda mais redutoras que o ambiente que me rodeia do outro lado da porta da casa.
Não me interessa sequer olhar pela janela pois nada de interesse decorre na monotonia desta rampa ladeada de casas, um carro de 20 em 20 minutos ou num período mais espaçado, pessoas que correm a almoçar em casa, regressam e saem novamente, enquanto eu estou encarcerada.
É nestes momentos que preferia não ser eu, ser uma pessoa que na ausência de outra coisa para fazer não reflecte sobre tudo e mais alguma coisa, tirando conclusões erradas, suposições negativas, pensamentos redutores que ninguém ouve portanto ninguém é capaz de contrariar.
Tentei escrever, mas a folha de papel vazia à minha frente é assustadoramente clara, obscuramente impossivel de preencher com o ânimo que se apodera de mim no momento, inalcançável do ponto de vista de uma rapariga engripada a tentar fugir à acção de "não fazer nada".
Finalmente decidi ceder e deitar-me perdedoramente na cama a ouvir música, de maneira preguiçosa, tentando que o tempo passasse mais depressa, para que o silêncio acabasse, para que a tarde chegasse ao fim e finalmente pudesse disfrutar de alguma companhia que não a minha chávena amarela, que me aquece a garganta com o líquido quente e aconchegante que sorvo dela, e o odor a caramelo e baunilha que suavemente obstrui as minhas narinas torturadas por lenços de papel que se amontoam nos meus bolsos.
Como queria não estar doente. Maldita gripe.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Nadando à chuva





Vagueio sem rumo numa cidade chuvosa. Quando saí de casa estava um sol imenso e quente que nos mostrava o Verão que eu conheço. Mas o Verão aqui é diferente.
"Já não estás mais em casa, Andreia. já devias saber isso."
Aqui as casas são estreitas e altas, parece que todas se empurram umas às outras, comprimindo-se cada vez mais, enquanto crescem para o céu.
As nuvens plúmbeas confirmam a chuva eminente, que eu senti com um arrepio na coluna, quando saí de casa, desci os curtos degraus e inspirei uma longa lufada de ar fresco.
A senhora que antes se despedira de mim desde a soleira da porta com um adeus numa língua que não é a minha mas que consigo perceber já se refugiara novamente no calor confortável da sua casa.
Visto a gabardine amarela que tinha guardada na mochila como último recurso a este tempo instável de Cambridge.
Corro as ruas sem reconhecer um rosto, mas isso não importa, gosto da sensação de solidão deliberada, da capacidade de me distrair de todos os olhares que se fixam em mim reprovadoramente, enquanto perscruto tudo e todos com os meus olhos castanhos, maravilhados com a simplicidade de tudo e de nada.
Há lojas mais à frente e os maravilhosos músicos de rua que me iluminam o rosto instantanemente, com as suas melodias, apenas suas, sem se venderem à sociedade, garantindo a todos um prazer instantâneo sem pedirem nada em troca necessariamente, mas esta minha fixação por músicos de rua é outra história.
Passo por um jardim e sento-me a observar as crianças que passam a correr falando com um sotaque britânico adorável. Uma menininha fixa-se em mim, talvez parece lhe pareça estranha, de outro sítio, e sou, mas não julgava que estivesse tão presente para quem se cruza comigo. A menina correu a apanhar uma florzinha amarela e colocou-ma na orelha.
"This matches with your raincoat. You should smile more, you know?"
Sim, eu sei que devia sorrir mais mas é praticamente impossível manter um sorriso constante.
Ela partiu entre o meu pensamento comigo mesma e o meu obrigado no português que não consegui controlar.
Continuei a minha viagem e parei numa ponte que se erguia sobre um pequenino rio, aliás, uns canais estreitos que ladeavam a famosa universidade.
Olhei o meu reflexo e pensei comigo mesma que precisava mesmo de sorrir. Começou a chover.
Sorri aí, tirei a gabardina e saltei para a água. Não era muito profunda, estava gelada, quase sufocante. Com isto as pessoas que desenfreadamente corriam para escaparem à chuva, em cima dos seus saltos altos, cobrindo o os cabelos que tão aprumadamente tinham arranjado, e olhavam-me em vislumbres rápidos, condenando a estrangeira que contrariava a realidade pacata das pessoas mundanas.
A menina passou pela ponte e sorriu para mim.
"That's a smile."

Quero voar no meu guarda-chuva



Quero voar para um sítio que me interesse, onde as pessoas se interessem por mim e me interessem, onde não seja apenas mais uma rapariga de calças largas a deambular pelos corredores esperando que alguém se digne a dirigir-lhe a palavra.
A situação não é bem assim, tenho amigos, não vão as pessoas pensar que sou uma isolada, anti-social, mas faz-me falta gente nova, pessoas que me falem de coisas que não conheço, a quem possa mostrar aquilo que sou sem ter medo por saber que vou ser julgada.
Estou a pensar em aproveitar o vento lá fora, e voar com o ar e a chuva, estender o meu guarda-chuva e voar para um lugar distante, percorrer lugares em instantes fugazes, agarrando-me ao meu guarda-chuva vermelho, uma cor indistinta entre as nuvens que agora cobrem completamente o céu.
Quero fugir à rotina. Já que provavelmente o meu guarda-chuva não vai levantar voo, aproveito e sou diferente com a cor garrida dele, alguma utilidade há-de ter, porque a chuva eu passo bem com ela, até a agradeço.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Balanço de '09

À semelhança de toda a gente decidi resumir os 365 dias deste ano em breves frases que não chegam para exprimir os 525600 minutos de emoções fortes, situações fatídicas em que apenas me apeteceu desistir de tudo, minutos com pessoas, minutos de silêncio e reflexão, desilusões, paixões, VIDA acima de tudo.
Não me lembro muito bem dos primeiros meses, estão ligeirametne eclipsados por todos os acontecimentos que me magoaram e que se sobrepuseram a tudo o que de mau tinha acontecido antes.

Comecei o ano em Rio Bom, nessa altura esta aldeiazinha no meio de nada ainda não me tinha arrebatado na plenitude, com os meus avós, pais e irmã.

Escrevi um conto para um concurso do Modelo e da Texto Editores.

Passei as minhas manhãs de quinta-feira com a Catarina ao pé do Moinho, no Cantinho dos Suicídios e matermo-nos no rio até aos joelhos, até perdermos a circulação, vimos a Cerejeira em Flor, e apaixonámo-nos por aquele sítio.

Voltei às aulas ansiosa por ver toda a gente novamente, especialmente o Rui, o meu melhor amigo.

Tínhamos uma relação fantástica, sentávamo-nos sempre juntos, eu dava-lhe explicações na biblioteca até que os nossos pais nos ligavam para nos obrigarem a ir embora, brincávamos imenso, abraçávamo-nos, tínhamos a maior confiança de sempre, os professores achavam que éramos namorados.

Apaixonei-me pelo meu m.a.

A Sofia, uma das minhas m.a., disse para lhe dizer.

Eu disse-lhe e ele disse que não lhe era indiferente mas que gostava de outra pessoa. Afastámo-nos mas não desisti.

Numa noite, na minha varanda, enquanto olhávamos as estrelas, a Catarina, a minha m.a. desde que me lembro quase, relembrou-me que para o ano ia embora para o Porto, chorámos abraçadas, chorámos quando ela desceu as escadas e eu fiquei a olhar, a imaginar esse mesmo momento uns meses mais tarde.

Apanhei-me uma grande bebedeira e andei a dizer a toda a gente que gostava dele. Envergonhei-me disto e ele também, agora é-me indiferente.

Tentei mais uma vez e ele disse que gostava de mim.

Um dia foi buscar-me a casa de bicicleta, fomos para a escola juntos, falámos, obriguei-o a andar descalço na relva, descobri que a Catarina estava a ver o colégio para onde ia. Sentia-me mal por causa dela e insegura em relação a ele, ele parecia que gostava de mim.

Uma semana depois disse-me que afinal não gostava de mim, que não queria nada comigo, que era melhor assim, tudo isto através de uma impessoal conversa por msn. Fiquei magoada.

Recebi uma chamada a dizer que tinha ganho o dito concurso e o meu conto ia ser publicado, chorei de emoção, fiquei tremendamente feliz (ainda estou à espera da publicação), senti-me realizada, tudo isto levou a 3 entrevistas em jornais locais e a última página no Jornal de Notícias.

Tentei aguentar tudo durante uma semana, chorei sozinha, não falei com praticamente ninguém, mas num sábado fatídico, com a Sara e a Sofia que já sabiam de tudo mas sem lhes ter dito nada, obrigaram-me a falar, não quis. Enconstámo-nos a uma ruela, deixei-me cair no chão com elas a meu lado, esforcei-me por não chorar porque ele não merecia e disse resumidamente o que passara, sentia-me traída e sozinha, mas ia conesguir ultrapassá-lo.

Vieram os anos da Catarina e festejámos praticamente as duas sozinhas no dia antes, encontrei-o na rua e um amigo dele mandou uma boca como: vai lá ter com a rapariga toda a gente sabe que é isso que queres. Senti-me superior e comecei a tentar ultrapassar tudo.

Não me lembro de grande coisa depois, lembro-me que as aulas acabaram e como nos anos anteriores tive nota máxima a todas as disciplinas, 9º ano não é difícil.

Planeei ir para Cambridge no Verão, passar uma semana em Rio Bom, imensa coisa que depois praticamente não fiz.

Foquei-me no ténis, joguei, treinei, ganhei um torneio na cidade, esforcei-me por esquecê-lo focando-me nesta minha paixão e apoiando-me na escrita.

Fui para Lisboa, com hotel pago em pleno Parque das Nações, com a Catarina e a minha mãe. Pequeno-almoço no quarto, táxi pago. Uma entrevista na TVI24, em que comentei vários temas e estive mais nervosa do que alguma vez tinha estado. Fomos às compras, a Catarina gastou balúrdios em roupa, comprei o CD dos Goo Goo Dolls.

Fui para Cambridge. Conheci imensas pessoas, interessámo-nos por uns alemães muito giros, atirei-me a um riozinho onde estávamos a fazer punting, fui a Londres, apanhei gripe A, fui ao Starbucks quase todos os dias, comprei imensos CD's, ri-me, diverti-me, aprendi inglês, passei imenso tempo com a Sofia e a Sara, fui ao Madama Tussauds, vivemos imensos momentos à filme, conhecemo-nos melhor do que antes, passamos imenso tempo no PP's.


Fui para Rio Bom. Foi de longe o melhor das férias. Era a festinha da aldeia, fui com a Iara, a Sara, a Catarina e a Sofia, só ficámos eu e as últimas duas nos dias mais importantes. Abraçámos castanhieris, conhecemos os franceses, saímos de casa de noite e fomos beber shots à borla para o café da aldeia, vivemos situações completamente insólitas que prefiro não referir para não ferir susceptibilidades. Vi imensas estrelas cadentes.

Eu e a Sofia voltámos para Rio Bom e vivemos dias bastante emotivos, em que nos reaproximámos, chorámos juntas, ou pelo menos tentámos fazê-lo.

Tive um casamento. Conheci um rapaz suíço e tivemos um caso de uma semana.

Voltámos à rotina monótona de Chaves.

Conheci a Adília, que se tornou quase como uma irmã para mim.


Começaram as aulas, uma turma nova, com pessoas de quem não gostava particularmente e que agora apenas considero desinteressantes.

Estou cada vez mais directa, não tolero pessoas que não gostam de mim e são hipócritas e não sou cínica, portanto o meu leque de amizades é reduzido mas suficiente.

A Sofia arranjou namorado e afastámo-nos.

Senti-me mal, mas depois aceitei a situação. Mais tarde acabaram e as coisas voltaram à regular normalidade.

Senti-me particularmente só durante algum tempo mas refugiei-me aqui, no blogue, e na Adília, que estava sempre lá para me ouvir.

Chegou o Natal. resolvi conflitos, fiz amizades, comprei prendas.


Agora estou à espera do Ano Novo, de tudo o que ainda está para vir e que espero que supere este ano, decerto o fará...

A janela

Cada vez que olho para aquela janela recordo todas as vezes que te vi entrar, as saudades que sentia quando te observava já do outro lado do vidro frio, incapacitada de tocar a tua mão, de sentir o seu calor, a sua aspereza, de me sentir protegida pelo teu abraço, sentia a falta do teu cheiro, do odor que emanavas, um perfume inconfundível independentemente da situação, eras tu quem me fazia falta, não a imagem de ti, mas tu do meu lado da janela.
Ainda te consigo ver chegar, com o cabelo a pingar, batendo freneticamente no vidro praticamente suplicando por um pouco do calor da divisão, e eu olhava-te com a superioridade de quem o tem e ao mesmo tempo inveja por não estar a disfrutar da chuva que te molhava, e do abraço molhado que te envolvia lá fora, podia ser o meu.
Nesses momentos olhavas para mim e eu olhava para ti, aproximava-me da janela e encostava o meu queixo no parapeito depois de me sentar no banquinho que tinha mesmo encostado a ela, olhava bem no fundo da tua alma e via que aquilo por que ansiavas não era apenas o conforto da divisão mas a mim, o meu beijo quente, o meu abraço acolhedor, ou pelo menos esperava que assim fosse.
Recordo um desses dias, em que tal como hoje chovia torrencialmente, e enquanto esperava ansiosamente que chegasses ouvia Chopin tocado por Maria João Pires, a sua mestria na movimentação dos dedos, pousando no momento exacto nas teclas brancas e pretas do piano, acompanhada pelo bater constante das gotas de chuva na janela, que embalavam a melodia e preenchiam os silêncios.
Tu chegaste num desses silêncios. Vieste perturbar a atmosfera que pairava no quarto naquele instante, levaste-me do meu transe para um sonho irreal, contigo. Bateste na janela e eu atendi quase que imediatamente à tua chamada. Caminhei com passadas largas e abri o trinco da janela, não te deixei entrar dessa vez, não permiti que deixasses aquele rasto molhado que denotava a tua passagem no chão da habitação, que me recordava por longas horas que tinhas estado mesmo ali.
Olhaste para mim confuso quando saí agilmente da janela para o pátio chuvoso. Não me tentaste demover nem entrar porque procuravas um calor diferente daquele que o quarto te proporcionava. Deixei que as gotas abundantes que caíam do céu me cubrissem por inteiro e dirigi-me para ti, deveria parecer uma rapariga louca, molhada da cabeça aos pés, descalça entre a relva molhada em pleno Inverno, olhando-te por entre uns cabelos negros que pingavam indistintamente, com o canto do lábio levantado num sorriso traquina de menina.
Dei uma enorme gargalhada e abracei-te, beijei-te, amei-te.
Sentámo-nos no chão e deixámo-nos ficar, a observar a chuva do lado errado do vidro, ou talvez não fosse o errado, apenas o era quando não partilhávamos esse mesmo lado. Estúpida divisória de vidro.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

(aceito sugestões para um título)

Caminho mais uma vez, sozinha, por entre um caminho sinuoso que não parece melhorar. Tenho esperança que estarás no fim do trilho, à minha espera. Continuo a andar, deixo a mochila que carrego nos ombros cair no chão com um baque surdo, deixo tudo o que antes me definia para trás, para começar de novo, começar contigo, mais tarde voltarei para recolher as coisas que vale a pena manter no entanto para já não tenho tempo para isso.
As árvores tornam-se mais densas à medida que avanço, a terra já não é macia como antes, as árvores estão cada vez mais próximas umas das outras dificultando a tarefa de passar por elas um trabalho digno de um contorcionista, há picos, pedras e fragmentos de um qualquer outro material aguçado a cobrir o solo segundo um qualquer padrão indecifrável e aleatório. Doem-me os pés e parece que estou a sangrar.
Vejo água mais à frente, entro destemidamente no pequenino lago no meio do nada, no meio daquela floresta escura. Os meus pés magoados respondem bem à água gélida do lago, dou mais um passo e o nível da água atinge os meus joelhos. Já não sinto os pés, portanto saio. Temo que permanecendo ali por mais alguns instantes me seja impossível mover de todo e não tenho ninguém que e ajude a continuar a caminhada que se apresenta ainda longa, mais uma vez estou só, só eu.
Não sinto os pés, o que é consideravelmente agradável pois já não sinto o asfalto a magoar-me as plantas dos pés, as farpas a rasgarem a minha pele, não sinto nada, portanto também não sinto dor, pelo menos a física.
A floresta parece interminável, talvez seja, como nunca estarás no fim do trilho esse trilho nunca irá acabar, quem sabe me surpreendas desta vez.
Parece-me que já caminho há horas, mas não aguento mais. Páro e sento-me no solo. Adormeço, vencida pela provação da caminhada, aninhada em mim mesma, tapando-me o máximo possível com uma rude capa de viagem. Acordo com a alvorada, coberta por uma fina camada de orvalho que me gela completamente, tenho de me mover com medo de gelar naquele preciso lugar.
Com todas as forças que me restam corro, da minha boca sai o característico fumozinho branco das expirações que envolvem uma atmosfera gelada, devo ter os lábios roxos porque basicamente não os sinto, os pés sinto-os gelados mas também sinto dor. Não suporto mais esta corrida interminável, onde estás afinal?
A capa ficou para trás, presa num qualquer ramo, agora o frio atinge os restantes membros, lentamente deixo de sentir o calor do sangue, e parece que é gelo que me corre nas veias.
Corro, magoando-me cada vez mais, os ramos magoam-me na cara e nas mãos quando os tento afastasr, deixando-me ligeiras feridas, suficientemente fundas para largarem gotículas de sangue que acompanham as lágrimas que não consigo conter.
Tropeço num tronco aparentemente colocado estrategicamente para me impedir a passagem.
Caio, vencida pela gravidade e pela adversidade da realidade. Olho a minha perna, tenho um golpe profundo e sangue escorre até ao meu pé direito, manchando a terra que se acumula no meu calcanhar e o solo, escurecendo o seu castanho para um negro, enquanto deixa um rasto de vermelho vivo.
Choro, deito-me na terra, pouso a cabeça ferida, pouso as mãos sobre o peito na tentativa de proteger o meu coração magoado e de o obrigar a abrandar lentamente, fecho os olhos e desisto, deixo-me sucumbir pela dor de ser eu própria e de não ter sido capaz de te alcançar, durmo, ou talvez não, recuso-me a levantar e continuar, desisto.
E ali estou eu, um eu despido, que abandonou parte de si num passado distante, que se recusa a continuar, fecho os olhos, ou já os teria fechado? Descanco, esperando que o frio gélido do dia ou da noite me levem dali, descanso neste sono eterno, sob um abraço de gelo na minha nudez de alma.
Fecho os lábios roxos, controlando os dentes que batem descontroladamente, inspiro uma última lufada de ar que me queima a garganta e gela os pulmões, olho o infinito e depois deixo-me levar pelo vazio. Apenas escuridão. E uma lágrima solta no último instante, por ti, mesmo que não a mereças.

sábado, 26 de dezembro de 2009

,

Hoje sinto-me uma pessoa nova, renovada pela felicidade destes últimos dias, pela sorte que tenho em viver tudo aquilo que vivo e por ter a hipótese de viver o suficiente para sofrer o que sofro.
Até hoje via-me mais como uma espectadora isolada de tudo o que me rodeava, não vivia, não sorria porque realmente me apetecia, apenas falava com as pessoas para não me fechar completamente em mim própria. Parecia-me, a mim, que observava o mundo de um vidro embaciado que por mais que tentemos limpar para ver o outro lado não temos mais que uma breve miragem que dura meros segundos. Julgo que consegui finalmente ver o outro lado, sonhar outra vez, chorar outra vez, observar as estrelas e ver algo que me cativa, olhar uma obra de arte e conseguir interpretá-la como tal e não apenas como um delírio de um artista sem valor, rir com a simplicidade das situações e das coisas, falar descabidamente e fazer comentários que ninguém esperava da pessoa calada e taciturna em que me estava a tornar.
Sinto-me capaz de voar outra vez, apetece-me viajar, ir a Paris novamente e perder-me na imensidão das suas ruas, na magnificência da sua beleza, na magia do ambiente que paira em toda a cidade, de correr todas as lojas, mesmo aquelas em que não tenho dinheiro para comprar nada, ir mais uma vez ao Louvre e ao museu d'Orsay, olhando todas aquelas belíssimas obras de arte como se fosse a primeira vez, apenas porque sim, porque eu quero.
Quem sabe não me apaixone pelo caminho, por alguém que valha a pena, pelo menos sinto-me capaz de o fazer novamente apesar de não estar completamente sarada e ainda ter em mim o temor de sofrer novamente, sei que é impossível amar sem nos atirarmos de cabeça e nos darmos inteiramente portanto vou tentar, mas não conheço ninguém a quem seja capaz de me entregar por inteiro, não há ninguém em quem confie assim tanto, apenas em mim própria.
Já tenho alguns desejos para o ano novo, só me resta esperar para os ver (ou não) concretizar.

A minha vida (des)interessante - II

Estou extremamente feliz, pela primeira vez desde que as aulas começaram. Provavelmente é por estar de férias, reparem na ironia da situação.
É Natal, toda a gente sorri, ou tenta fazê-lo, a troca de prendas, a iluminação lindíssima que traz brilho a esta cidade adormecida, os sorrisos na cara das crianças com todas as prendas que receberam, a família toda junta neste dia maravilhoso.
Depois, temos as minhas notas fantásticas que ajudam ainda mais a toda esta situação:
  • 16 a educação física (vou ter mais no próximo período, espero eu)
  • 18 a português, geologia e química 
  • 19 a filosofia e inglês
  • 20 a matemática (esta aumentou exponencialmente o meu ego)
Tive um recital de violino que correu bastante melhor do que o que eu esperava, tocámos algo como 12 músicas, demasiadas para a minha qualidade de interpretação, mas consegui ajudar a tornar um espectáculo de Natal algo interessante para inúmeras pessoas que esperavam uma mera demonstração medíocre.
O Pai Natal foi bastante generoso comigo portanto também não tenho por que me queixar em relação a isso...
Vou tentar melhorar a qualidade destes meus posts, porque sinceramente...
Um Natal maravilhoso para todos vocês e que o ano comece tão bem como o meu.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Mais selos

Este post vai ser dedicado aos selinhos que a S. me ofereceu, muito obrigada porque são lindos:













Com este último selinho propõe-se que digamos as 5 coisas de que nos arrependemos:
  1. Arrependo-me de não te ter dito que me magoaste e simplesmente ter seguido com a minha vida fingindo ignorar a tua existência.
  2. Arrependo-me de ter chorado mais do que uma vez à frente de pessoas que não mereciam ver as minhas lágrimas.
  3. Arrependo-me de pensar demasiado em tudo e de ser muito perfeccionista, de piorar as más circunstâncias ao revivê-las desnecessariamente na minha mente.
  4. Arrependo-me de por vezes magoar as pessoas para me proteger.
  5. Arrependo-me de me tentar afastar do mundo, refugiando-me em mim própria, para me proteger das pessoas de quem tanto gosto mas que sei que vão acabar por me magoar, eventualmente.
Indicar 3 livros que nos marcaram (como é impossível escolher apenas 3 aqui vai a minha lista):
  • Alice no País das Maravilhas - Lewis Carroll
  • Memórias de uma Gueixa - Arthur Golden
  • Chocolate - Joanne Harris
  • Sapatos de Rebuçado - Joanne Harris
  • Anjos e Demónios - Dan Brown
  • O Monte dos Vendaváis - Emily Brontë
  • HP (a colecção toda) - J. K. Rowling
  • Um Momento Inesquecível - Nicholas Sparks
  • O Principezinho - Antoine de Saint-Exupéry
  • Uma Lição de Tango - Sveva Casati Modignani
  • A Doçura da Chuva - Deborah Smith
  • Jardim de Mulheres - Aminatta Forna
  • Em Troca de um Coração - Jodi Picoult
  • Tudo Por Amor - Jodi Picoult
  • A Menina Que Não Queria Falar - Torey Hayden
  • A Menina Que Nunca Chorava - Torey Hayden
  • Trilogia da Herança (Herança do Fogo, Herança do Gelo e Herança da Vergonha) - Norah Roberts

Deixo estes selos aos leitores deste blogue e a todos os que passem por aqui e os queiram para si.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

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terça-feira, 22 de dezembro de 2009

"Não faço ideia onde vou acabar, com toda a gente a tentar ajudar a levar-me ainda mais para o fundo."

Sou o meu próprio pesadelo

Estou deitada no meu quarto, a tentar perceber como é que tudo aconteceu, como é que por uma coisa sem nexo aparente deixaste de me falar.
Tapo-me com os cobertores tentando fugir à realidade, refugiar-me da ideia que tanto me magoa de que não estás sequer preocupada comigo. Choro, porque nada mais posso fazer. Olho em meu redor e tudo me parece negro, extremamente escuro, vejo os monstros que me perseguem nas paredes a rodear-me. Mas não são monstros sou apenas eu.
Levanto-me um pouco para tentar olhar-me ao espelho e ver a situação de uma perspectiva diferente. Sobressalto-me com a imagem que reflecte. Eu estou lá mas diferente, a expressão não é a minha, não estou ali na plenitude do meu ser. Apareço incompleta, quase vazia. Tento olhar para outro lado mas a minha própria imagem persegue-me.
Quando olho para o lado oiço alguém sussurrar algo ao meu ouvido:
-Não vale a pena fugires. Eu vou estar sempre aqui.
Olhei e vi-me a mim. Não, não era eu, não era o espelho era a minha imagem reflectida no espelho, eu a assombrar-me a mim própria, eu como o meu próprio pesadelo.
Viro a cara, assustada com a estupidez do que vi, ou julguei ter visto.
Olhei novamente esperando que o delírio, alucinação, ou lá o que fosse já tivesse passado. No entanto ela continuava lá. Eu permanecia ali.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Neve em Chaves

Hoje tive uma folga imprevista.
Tal como já tinha referido antes o Inverno nesta cidade é gélido e quase impossível de suportar, e nestes últimos dias tem sido um suplício aguentar as camisolas de gola alta, os casacos extremamente volumosos e que reduzem consideravelmente a mobilidade, os gorros, as luvas, e mesmo com tudo isto continuo com o nariz gelado sempre que saio de casa.
Mas voltando ao tema inicial. Hoje nevou, mas nevou mesmo. Nevou em Chaves. As escolas estão fechadas portanto agora estou em casa sem grande vontade de sair devido ao ar que nos gela as entranhas a cada inspiração de lá de fora.
Decidi ficar-me pelo calor aconchegante do meu lar, roam-se de inveja os que tiveram de ir trabalhar. Pode ser que desta forma me lembre de algo interessante para escrever aqui e não apenas estas coisinhas que nada interessam.
Mesmo assim, vou voltar a salientar: NEVOU EM CHAVES!
Vou mais uma vez para a janela olhar lá para fora, para ver que ainda está a nevar, que continuam a cair pedacinhos de algodão do céu (era o que eu pensava que era quando era pequenina), que as casas estão mesmo a fica com os telhados brancos e que se puser a cabeça de fora vou certamente ficar gelada mas feliz.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Estado: irritada e desiludida

Porque é que as pessoas acham que me conhecem bem? Não percebo e irrita-me profundamente quando as pessoas me consideram completamente linear imaginando que vou reagir de forma igual em todas as situações. Não. Não sou linear. Posso ter uma vida consideravelmente fácil, mas sou frágil e sinto-me muito fraca, sinto que todos me podem magoar neste momento e poucas são as pessoas que nos ultimamente não o fizeram.
Não. Não me conhecem assim tão bem senão saberiam o que não deveriam dizer, as coisas subtis, comentários fragmentados que a minha mente não abandona, que me levam a questionar tudo, que me magoam.
Se me conhecessem assim tão bem saberiam que sou orgulhosa, que não sou capaz de me humilhar voluntariamente, adoro fazer os outros rir, comigo e de mim, quando eu tenho controlo da situação. Tenho uma lacuna enorme de confiança, estou segura de parte de mim, de algumas das minhas capacidades, mas não da integridade da minha pessoa. Não tenho um historial plenamente feliz, não sou a típica adolescente que muitas pessoas vêem. Sou tudo e nada. Sou orgulhosa e sei admitir quando erro, sou incapaz de pedir desculpa quando não sinto que errei, sou perfeccionista e custa-me aceitar os erros dos outros em relação a mim, e não espero mais dos outros do que de mim própria, aparentemente a minha fasquia está demasiado elevada para comportamentos vindos de adolescentes que ainda não têm a menor noção daquilo que os rodeia, sou pessimista e optimista simultaneamente, dependendo do caso em questão, sou sonhadora e adoro rir-me, mas preciso dos meus momentos de silêncio, daqueles instantes em que mesmo quando toda a gente está junta me posso isolar dos grupos sociais estabelecidos, ou simplesmente agir como um autómato, usufruindo do tempo que preciso para mim, de ser capaz de ouvir a voz do meu pensamento, de ser livre.

Sou a rapariga indecisa, a pessoa indefinida que se vai conhecendo e vai agindo conforme as circunstâncias. Vivo no passado e no presente, tenho vislumbres do futuro e expectativas que espero conseguir alcançar, tenho sonhos apenas meus que ninguém imagina que me ocorrem. Adorava ser bailarina clássica e ao mesmo tempo tenho uma paixão por dança urbana e contemporânea, tenho uma paixão por música e ser música ambulante é algo que me cativa e que nunca ninguém imaginou de mim.
Sou tudo isto e muito mais, e tu não me conheces, podes pensar que sim, no entanto nada mais sou para ti do que aquilo que mostro, e isso não define plenamente a pessoa que sou, se não ajo da forma como queres não tenho culpa, estou a ser apenas eu, não percebo essa atitude de menina mimada a ignorar a pessoa com quem te rias há meros instantes devido à estupidez de uma atitude que deveria ter sido cómica e que decidiste aceitar tentando ser autoritária, mas não respondo a ti, não faço o que tu queres, se queres que faça aquilo que esperas de mim estás longe de prever o meu comportamento. Sou apenas eu, não sou tu, não penso como tu. Não vou mudar porque decidiste virar a cara quando passo, ignorar a minha presença, não me dirigir a palavra.

Ainda tu dizes que estás longe de ser uma adolescente normal, não passas de uma criança como todas aquelas que criticas, uma criança mimada.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Amy Sol

Enquanto viajava um pouco pela blogosfera à procura de fotógrafos e artistas encontrei uma pintora com gravuras lindíssimas, de quem nunca ouvira falar (o que não me espanta), a coreana Amy Sol.
Pinta em madeira, conjugando folk art e os desenhos manga que bastante admiro.
Tem imagens lindíssimas, em tons monocromáticos, não saindo dos pastéis. Meninas delicadas, animais fantásticos e queridos, flores e vegetação estranha a idílica.

Estão aqui algumas das gravuras dela:







Para quem ficou interessado deixo aqui o endereço do site e do blogue da autora.

Livres, nós?

A filosofia temos abordado o tema da liberdade. Se somos livres de agirmos como queremos e de nos autodeterminados ou se estamos sujeitos a fazer algo, não tendo a possibilidade de fazer algo diferente.
Acho isto muito redutor do ponto de vista humano. Não sermos livres. Há séculos que o Homem luta pela sua liberdade sobre diversas formas, a liberdade dos escravos, a liberdade dos Homens, a liberdade de expressão, ainda hoje penso que todos nós nos debatemos para nos sentirmos livres, livres de preconceitos, de vidas monótonas, rotinas que nos saturam por serem apenas isso, rotinas, vidas stressantes, lutamos para termos liberdade de escolha no trabalho, em casa, para alargarmos as nossas possibilidades monetárias e termos uma maior liberdade de escolha a nível de bens materiais... Esforçamo-nos todos os dias para quebrar barreiras para aparecer alguém e nos dizermos que afinal não somos livres?
Penso que cada um tem direito à sua opinião, desde que a sua justificação para a escolha daquela posição seja um insignificante "Porque sim".
Sinto-me dividida entre o compatibilismo e o determinismo.
Segundo o compatibilismo apesar de o nosso corpo estar sujeito às leis físicas naturais que não somos capazes de contrariar, como a lei da gravidade, somos capazes de em certas situações nos autodeterminarmos, ou seja, escolhermos por nós próprios. Por exemplo, quando nos atiramos de um 100º andar caímos inevitavelmente devido à lei da gravidade, mas somos livres de escolher entre atirarmo-nos ou não porque essa escolha cabe-nos apenas a nós tomar, somos os únicos que temos a capacidade de determinar o que vamos fazer a seguir.
Desta forma somos livres e responsabilizados pelos nossos actos.
Mas por outro lado, todas as escolhas que fazemos se devem a um factor anterior, como quando se escolhe o nome para uma criança. Temos uma imensidão de nomes entre os quais podemos escolher mas vamos ecluindo alguns porque nos recordam uma determinada situação que nos desagradou, alguém de que não gostamos... Quando temos a hipótese de escolher o que vamos almoçar num determinado restaurante onde nunca fomos geralmente escolhemos algo com o qual estamos familiarizados e de que gostamos ou algo que alguém nos recomendou, assim somos determinados a fazer aquele escolha pelo passado, pelo que já vivemos.
Estes exemplos baseiam-se numa visão determinista, em que estamos plenamente determinados a fazer algo de determinada forma e não o podemos evitar, porque cada efeito tem uma determinada causa, e essa causa não somos nós, ... e extende-se uma interminável definição pormenorizada de determinismo, mas resumindo: não podemos escolher o que fazemos, não somos responsabilizados pelos nossos actos dessa forma e o nosso "destino" está previamente traçado.
Não há uma hipótese correcta ou errada nestas sitauações, afinal de contas, trata-se de filosofia, mas tenho dúvidas acerca de qual delas se adequa melhor à minha forma de ver: será que vivemos o passado ou o presente? Somos capazes de nos alhearmos plenamente de tudo aquilo que já vivemos para trás de maneira a nos autodeterminarmos plenamente?
Talvez sim, talvez não... Questões infinitas, respostas praticamente inexistentes, incertezas parcialmente elucidadas com mais perguntas.


"Não fazemos aquilo que queremos e, no entanto, somos responsáveis por aquilo que somos."
Jean-Paul Sartre