sábado, 12 de dezembro de 2009
A quadra natalícia da actualidade
No meu caso gosto de receber prendas e de dar prendas, considero esta troca uma forma de mostrarmos à outra pessoa o quão bem a conhecemos ao termos a capacidade de escolher algo que esta aprecie... É uma desculpa agradável para demonstrarmos o carinho que sentimos sob a forma simplificada de um bem material... Eu nunca espero até ao dia de Natal para receber as minhas prendas, muitas delas nem chegam a ser embrulhadas, já não sinto a necessidade de receber prendas nesse dia mas fico feliz por as receber.
No entanto, preocupam-me as crianças, a forma como as habituamos a um amontoado infinito de presentes, que parecem nunca mais acabar, uma quantidade exorbitante de papel de embrulho, lacinhos, jogos, brinquedos e mais brinquedos, alguns deles colocados automaticamente na parteleira confinados a esse espaço no quarto pela sua nulidade. As crianças de hoje em dia estão habituadas a ter tudo muitas vezes não estando preparadas para as adversidades com que os adultos se deparam ao longo da vida, como uma mudança drástica nas finanças que não permite este nível de vida às crianças, que Natal terá uma criança que vê a quantidade de prendas diminuir exponencialmente de ano para ano? Uma criança apenas habituada à faceta materialista desta festividade que visa principalmente a reunião da família, a celebração desta família, a felicidade e a paz, como veria o fim destes embrulhos que se amontoam na base da árvore de Natal?
A qualidade do dia de Natal medir-se-á pela quantidade de presentes debaixo da dita árvore ou pelo amor e alegria partilhados por esta família nesta quadra festiva? Será que chegámos ao ponto de nos preocuparmos tanto com os presentes que nos resta apenas tentar encontrar uma réstia do verdadeiro espírito deste dia, perdido entre prendas e presentes, brinquedos, jogos, camisolas, simples objectos que em nada sobrepõem as nossas necessidades de amor e de família?
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
We Might As Well Be Strangers
- Hopes and Fears dos Keane
- The Fall da Norah Jones
- Chopin tocado por Maria João Pires
São excelentes álbuns de músicos que adoro e que me têm acompanhado nas breves viagens de carro para esconder o silêncio desconfortável que ninguém decide quebrar, que têm estado presentes nas horas más com melodias agradáveis e letras magníficas, ouvindo as minhas lamúrias quando mais ninguém o quis fazer.
Se tiverem oportunidade oiçam.
Uma das músicas que me cativou mais no álbum dos Keane foi We Might As Well Be Strangers, chamou-me a atenção porque nunca a tinha ouvido ao contrário das restantes músicas e é das mais bonitas. Deixo aqui a letra:
I don't know your face no more
Or feel the touch that I adore
I dont't know your face no more
It's just a place I'm looking for
We might as well be strangers in another town
We might as well be living in a different world
We might as well
We might as well
We might as well
I don't know your thoughts these days
We're strangers in an empty space
I don't understand your heart
It's easier to be apart
We might as well be strangers in another town
We might as well be living in another time
We might as well be strangers
For all I know of you now
For all I know
É uma música lindíssima que merece que percam cerca de 3 minutos e 12 segundos do vosso tempo para a ouvirem. Vale a pena pensar, vale a pena sentir, vale a pena sonhar, transportados para o mundo encaminhados por esta melodia lenta que nos embala suavemente, enquanto um cantor com uma voz maravilhosa diz palavras doces, que no meu caso tocam num lugar num recanto profundo do nosso ser, nas feridas ainda por sarar, dos amores que agora nos parecem estranhos, dos amigos que nos parecem ignorar, da triste e dura vida que nos parece ataiçoar tantas vezes.
Manias
Cada bloguista tem de enunciar 5 manias suas, hábitos muito pessoais que os diferenciem do comum dos mortais. E além de dar ao público conhecimento dessas particularidades tem de escolher 5 outros bloguistas para entrarem, igualmente, no jogo, não se esquecendo de deixar nos respectivos blogues aviso do recrutamento. Cada participante deve reproduzir este regulamento no seu blogue.
- Tenho a mania de chorar (quase) todas as noites enquanto oiço música, Chopin, Norah Jones, Keane, Goo Goo Dolls, Beatles, The Script, ou simplesmente as músicas que passam no rádio. Posso nem sequer estar triste mas sinto esta necessidade para me libertar, me sentir melhor comigo mesma, me deixar levar pela música e deixar para trás todas as adversidades e complicações do dia que acabou.
- Não consigo evitar andar à chuva. De todas as vezes que chove caminho mais devagar deixando-me embalar pelas gotas que suavemente caem na minha cabeça e me levam para um outro lugar, um lugar meu, onde uma pessoa com as roupas completamente molhadas, com os cabelos a pingar, não tem necessariamente de estar deprimida nem de ser estranha, pode ser simplesmente alguém que adora sentir a chuva, o cheiro da terra molhada, sentir-se ali e noutro lugar simultaneamente.
- Tenho a mania de me tentar superar constantemente, tentar superar as limitações do meu corpo humano, da sua necessidade de descanso, tento ultrapassar os conhecimentos limitados que detenho por outros mais correctos ao meu ver, tentando conhecer tudo. Tenho a mania de pesquisar tudo e querer ter um conhecimento básico acerca de tudo e de me prender nos detalhes interessantes de cada assunto.
- Tenho a mania de me recordar de certos acontecimentos marcantes pela roupa que usava nesse dia, do lenço que tanto gosto porque o usei quando estava contigo, das sapatilhas que sempre me deram sorte e me deram confiança para enfrentar uma determinada situação. Lembro-me de detalhes como o nome do café onde estivemos e nunca mais entrei depois disso, da forma exacta da árvore onde me encostei e chorei quando as pessoas me magoaram, do sítio exacto no passeio onde me sentei com duas amigas e encarei a realidade da situação que enfrentávamos. No entanto, sou incapaz de decorar datas e horas, o tempo não é importante para mim.
- Tenho a mania de rir de tudo, de fazer as pessoas rir, de mim e comigo, de limpar as lágrimas das faces das pessoas que me interessam ao arrancar-lhes a custo um sorriso com uma piada que sabia que as faria sorrir. Gosto de ver as pessoas sorrir portanto sorrio-lhes também, sorrio para que todos possam ver quão bom é fazê-lo e quão bem nos sentimos quando ostentamos um verdadeiro sorriso. Sou uma cómica autêntica e não consigo evitar criar uma piada das situações mais absurdas.
Agora, a tarefa mais difícil, os cinco blogues escolhidos:
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Os sapatos vermelhos
Olhava à volta, parecendo um pouco perdida, mas provavelmente procurava um menino para brincar. No entanto parecia não haver ninguém ali. Então olhou para mim. Olhou directamente para mim e reparei nos seus olhos de um azul escuro que me lembrava as lindas águas da lagoa onde costumava nadar quando era como esta menina.
Talvez me tenha visto como uma potencial amiga e caminhou lentamente mas não como uma criança tímida, caminhava devagar para me observar, enquanto olhava para mim era capaz de ver aquele brilho que as crianças têm no olhar quando estão prestes a fazer um milhão de perguntas diferentes, daqueles interrogatórios intermináveis que só acabam quando as pessoas grandes acham que a curiosidade da criança deve ser limitada para não ficarem com uma dor de cabeça insuportável...
Quando chegou ao pé de mim senti-me bastante alta, olhando aquela menina dos meus 168 cm de altura acrescidos por saltos de 14 cm... Baixei-me, colocando-me de cócoras, tentando lutar contra o desequilíbrio para não me espalhar no chão. Fiquei mais ou menos ao nível da cara da menina e perguntei-lhe como se chamava... Ela disse-me que o nome dela era Diana e sentou-se na relva mesmo à minha frente sorrindo com um daqueles sorrisos desdentados enternecedores das crianças. Decidi parar com a minha cara de sofrimento de que ela se ria discretamente.
Tirei os sapatos e sentei-me com ela no chão, finalmente terra firme.
-Como te chamas tu? - perguntou-me ela.
-Eu chamo-me Andreia.
-Gosto desse nome. - disse sorrindo abertamente.
Sorri também. Não sabia o que dizer àquela menina, e foi então que lhe perguntei onde estavam os pais dela.
-Não sei.
O sorriso dela desvaneceu-se, olhou o solo e começou a roer as unhas nervosamente.
-Vamos procurá-los. - disse tentando animá-la.
Entretanto ela olhou para mim, levantando lentamente a cabeça até que lhe pude ver novamente os olhos. Chorava silenciosamente. Encostei-a a mim. Disse-me depois que os pais tinham morrido. Não sabia o que dizer e apertei-a mais contra mim, aconcheguei-a tentando protegê-la da dura realidade de que estava praticamente só naquele mundo no início da sua vida. O choro silencioso evoluiu para um pranto doloroso, que dilacerava as minhas entranhas com a dor que transportava.
Adormeceu no meu colo quando as forças para chorar se dissiparam.
Não a larguei. O sol pôs-se e recusei-me a largar aquela menina.
Ela acordou e disse que gostava dos meus sapatos. Eram vermelhos e ela não conseguiu tirar os olhos deles.
Olhei aquela criança frágil enrolada ao meu corpo falei-lhe da história do feiticeiro de Oz, dos sapatos que a Doroteia tinha que a levariam para casa quando quisesse, tinha apenas de bater com eles um no outro. Não tinha a certeza de a história ser exactamente assim mas o importante é que ela parecia interessada.
Disse-lhe que ela podia ficar com os meus sapatos e que podia fazer o mesmo que a Doroteia quando tivesse saudades dos pais, ou até saudades minhas se se lembrasse de mim depois daquele dia.
Ela olhou-me e deu-me um beijinho na face esquerda. Nesse momento chorei eu, com o amor que aquela criança atormentada ainda tinha para dar e pelo futuro incerto que a esperava.
A suposta tia da menina apareceu pouco depois, levando a menina dos meus braços violentamente.
-Esqueceste-te dos sapatos. - Disse eu sorrindo.
Ela correu para mim outra vez, agarrou-se ao meu pescoço abraçando-me profundamente, pegou nos sapatos e partiu.
Espero voltar a ver a menina dos caracóis dourados, talvez daqui a uns anos quando ela usar o 38 e puder andar com os meus sapatos.
Sabes o quanto me magoas?
Há pouco disseste palavras horríveis. Aprofundaste o desapontamento que já sentia pelos erros que tinha cometido, falavas para mim enquanto eu distraidamente observava o ecrã do computador pousado nos teus joelhos. Falavas e eu respondia com monossílabos para que não percebesses que a minha voz tremia.
Eu estava nervosa, irritada, magoada, desiludida comigo e contigo por me magoares assim, sabes como sou sensível mas continuas a fazê-lo, fazes isto desde que me lembro.
Não consegues ver a minha cara, quando decidi contar-te coloquei-me estrategicamente atrás de ti para que não me olhasses.
O que mais me magoou de entre tudo o que disseste foi indirectamente teres afirmado que não consigo, que sou incapaz de fazer o que quero, de fazer o que quiser na vida, que estou condicionada pela limitação dos meus conhecimentos reduzidos. Lágrimas corriam nas minhas faces mas eu tentava que não te apercebesses delas, não queria que me visses chorar e pensasses que sou realmente patética e fraca.
Sim, sou orgulhosa, assim como tu o és.
Entre breves e sussurradas palavras disse-te que ia à casa-de-banho. Fechei a porta silenciosamente, tranquei-a, olhei-me ao espelho e chorei. Naquele momento de dor jurei que desistiria de Medicina, que me ia dedicar a algo mais fácil, a algo dentro das minhas capacidades limitadas, algo fácil para o qual não precisasse de me esforçar, claro que desisti logo desta ideia estapafúrdia mas naquele instante em que vi os meus olhos raiados de vermelho, com lágrimas a brotarem incessantemente decidi aproveitar-me daquele momento de confidência comigo própria e desisti, deixei-me ir, libertei-me de todas as pressões e tomei uma decisão falsa enganando-me a mim própria para sossegar por instantes a amargura que sentia...
Sim, também sou patética.
Deves ter-me ouvido chorar porque mais tarde, indirectamente tentaste compensar as palavras duras que me tinhas dito... Tentaste que eu te entendesse e entendi, não porque o que disseste depois era realmente o que sentias mas porque era melhor do que tudo o que tinhas dito antes, era mais fácil de ouvir, mais motivador, era a voz que eu precisava.
Não foi a primeira vez e decerto não será a última, entretanto vou aproveitando os felizes momentos em que choramos e rimos juntas, em que és simpática e me ajudas, te preocupas, não de uma forma agressiva como hoje, mas de uma forma carinhosa, mostrando-me que estás ali...
Somos tão diferentes, quem me dera ser um pouco mais como tu às vezes, ou não.
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
My sister's keeper

Inicialmente fiz certos juízos de valor em relação às atitudes das personagens, mas quando nos familiarizamos com as suas vidas, os problemas que encaram, todas as dificuldades acrescidas suportadas por aquela família, quando nos pomos na posição de cada uma das diferentes personagens sentimo-nos incapazes de os julgar, é um filme que trata um tema complicado, duro, mas muito real. Leva-nos a questionarmo-nos em relação àquilo que faríamos numa situação semelhante, à nossa atitude se algo assim acontecesse com a nossa família. Fala de amor, amor puro e simples, de vivências únicas, de dor...
domingo, 22 de novembro de 2009
História de outrém
Ela estava deitada no chão. No meio de um corredor que não conhecia, num lugar que em nada lhe era familiar, enquanto se levantava lentamente observava tudo o que a rodeava, "mas que sítio é este?", questionava-se ela.Nesse instante ouviu uma nota. Uma só, abandonada e singular nota de piano, mas não via nenhum piano ali perto. Outra nota. Prestou mais atenção e apercebeu-se que vinha de longe, no fim do corredor, num fim invisível perante os seus olhos.
Começou a andar quando uma melodia suave começou a soar, ecoando nas paredes daquela divisão. Andava e andava mas parecia não se mover de todo, a paisagem era sempre a mesma, a mesma parede branca, o mesmo chão aos quadrados pretos e brancos. Ela saltava de um quadradinho para o outro a um ritmo igual ao da música do piano, embalada por aquele som magnífico que a hipnotizava e a levava a seguir em frente, a seguir aqueles sons.
Cada vez se deixava envolver mais pelas notas, cujo ritmo acelerava progressivamente. Então ela começou a correr para acompanhar o ritmo, para alcançar finalmente aquela melodia antes que chegasse ao fim. Correu e correu. Os seus cabelos castanhos esvoaçavam atrás de si, antes de começar a correr reparou no vestido longo que envergava, um belíssimo vestido rosa-pálido que teve de segurar para não tropeçar enquanto corria. Da forma como estava vestida parecia que ia para uma festa, ou talvez já tivesse estado numa.
A parte do vestido que não segurava. ondeava atrás de si, deixando um rasto rosa-pálido, como uma miragem que surgia e desaparecia num instante.
A melodia continuava, cada vez mais forte, cada vez mais sentida, cada vez mais apaixonada...
Afinal parecia que se aproximava.
De repente viu uma sombra à sua frente e parou abruptamente. A melodia cessou também.
Olhou em frente e viu duas gigantescas portas de ébano, com um relevo profundamente detalhado, figuras de apaixonados... Eram majestosas e pareciam-lhe demasiado pesadas para as conseguir abrir.
No entanto decidiu tentar. Deu dois passos em direcção às portas e quando estava prestes a tocar no puxador de ouro da porta esta abriu-se.
Espreitou para o seu interior e encontrou uma sala muito mais iluminada que o interminável túnel de que finalmente conseguira sair.
Largou o vestido, e este caiu suavemente ocultando novamente as suas pernas... Perscrutou novamente a sala com o olhar e tentou encontrar a melodia com os ouvidos... Mas a sala estava num silêncio impenetrável.
Ouviu as portas a fecharem-se atrás de si e quando se virou para estas novamente já não estavam lá, isto não a sobressaltou, pareceu-lhe normal no momento. No lugar onde antes estavam as portas conseguiu distinguir uma figura tão negra como estas, um belíssimo piano de cauda.
Não conseguia ver o pianista, nem sequer sabia se estava ali algum.
Caminhou lentamente, arrastando os pés para o imponente instrumento.
De repente ouviu-se novamente a melodia... Ela acelerou a passada, e em menos de um segundo estava do outro lado do piano.
Um homem belo olhava-a não parecendo surpreendido por ela estar ali. Sorriu-lhe enquanto tocava.
Aquele homem pareceu-lhe familiar, e a melodia que agora estava tão próxima fê-la ruborizar.
-Estava à tua espera. - disse o homem.
Ela sorriu e pareceu compreender o que ele dizia, sentou-se a seu lado no banco do piano e começou a tocar a melodia uma oitava acima do que ele tocava...
Olharam-se simplesmente, acompanhados pelo som do piano em que ambos tocavam.
-Estava à tua procura. - disse-lhe ela.
Não vos posso explicar porque se procuravam um ao outro, não posso dizer nada mais do que isto porque nada mais sou do que uma expectadora esta noite, agora sei tanto como vocês, e não me cabe a mim dar um fim a uma história que não é minha. Terminem-na como quiserem ou apreciem apenas o suspense e o instante em que nada acontece, o instante que antecede as coisas importantes, como o momento antes de um beijo, ou até o segundo antes de morrermos.
Para quem se quiser aventurar a conhecer-se

Para quem quiser tentar, consiste em responder às seguintes perguntas:
Mania: sou extremamente desarrumada e encontro a minha ordem no caos, tenho a mania de cantar no duche, quando estou sozinha em casa, no carro, no meio da rua. Tenho a mania de decorar pequenas coisas insignificantes como a matrícula de um carro que passou por mim no outro dia, o nome do restaura pelo qual passei, não associo datas às minha memórias, por vezes lembro-me de certas coisas por peças de roupa que usava, por um colar, por um determinado lugar, uma certa palavra, mas nunca nada tão impessoal como uma data.
Melhor cheiro do mundo: o cheiro nostálgico que fica quando as pessoas partem, aqueles odores que pairam no ar quando aquela pessoa tão importante já partiu há muito, a fragrência que nos recodará eternamente daquele momento mágico, da pessoa que nos mudou. Mas o cheiro a terra, quando chove é fantástico, principalmente quando a água da chuva escorre pelos meus cabelos e me recuso a sair de debaixo daquele fantástico fluxo de água.
Se o dinheiro não fosse problema: Corria o mundo não olhando para trás, comprava uma casa no meio de uma floresta, isolada do mundo, no meio da natureza, um mundo só meu, o meu refúgio.
Habilidade doméstica: acho que não tenho nenhuma, não sou propriamente adepta das tarefas domésticas, prefiro pensar que ainda não descobri essa minha habilidade...
O que não gosto de fazer em casa: limpar o pó (a alergia mata-me quando o limpo)
Frase preferida: não sei ao certo mas se tivesse de escolher apenas uma diria: “O coração tem razões que a propria razão desconhece.”
Passeio para o corpo: uma caminhada debaixo da chuva, descalça, caminhando na relva, sentindo a roupa a colar-se ao corpo, os cabelos a pingar, os pés a tocarem a terra molhada, água até ao mais profundo de nós, a natureza, o equilíbrio, tudo isto numa simples caminhada à chuva.
Passeio para a alma: andar sem rumo numa cidade desconhecido, onde ninguém reconhece a nossa cara, onde não temos um passado, apenas um presente e uma possibilidade de futuro, um local onde as questões mundanas desaparecem, onde podemos ser quem quisermos, como quisermos, pensarmos o que quisermos. Ou então, uma aldeiazinha remota, escondida atrás das montanhas onde as pessoas conhecem apenas aquilo que queres mostrar, onde ninguém me questiona a não ser eu própria, um local natural, único, que me permita sonhar. Ou um simples passeio por um lugar desconhecido por muitos, perto de uma cerejeira.
O que me irrita: a hipocrisia, pessoas que querem mostrar mais do que aquilo que são, que inventam uma personalidade que pode agradar aos outros mas não se verifica em nada na sua própria personalidade, pessoas que deixam a vida passar-lhe à frente, sem reagirem, sem viverem.
Frases ou palavras que uso mais: A sério?
Palavrão mais usado: merda
Vou aos arames quando: as pessoas falam mal de mim e depois sorriem descaradamente na minha cara, quando me mentem, quando se aproveitam dos meus momentos de fragilidade para me repreender infundamentadamente
Talento oculto: provavelmente o meu jeito para a comédia e para dizer as coisas directametne às pessoas até mesmo insultá-las sem que elas percebam que o estou a fazer (às vezes era bom que percebessem)
Queria ter nascido a saber: que as pessoas me magoam e desiludem muito facilmente, que nunca hei-de gostar da pessoa certa, gostava de ter nascido a saber que não há ninguém perfeito para mim porque as pessoas imperfeitas são as que apresentam a maior perfeição aos meus olhos e as que me cativam de forma inesperada.
Tentem também, não é tão fácil quanto parece, mas é uma boa forma de nos tentarmos perceber a nós próprios e tentarmos aproximar-nos um pouco mais da resposta à pergunta "quem sou eu?" que penso que nunca vou conseguir responder na plenitude. Abram-se para o mundo e mostrem um pouco de vocês.
O meu primeiro selito =)
Agradeço à S. do Blog "Confessions of a fashion girl" por me ter nomeado para este selo. Um beijo para ela.E desde já proponho os seguintes blogues que considero que o merecem:
*http://anaabmd.blogspot.com/
*http://adilianunes.blogspot.com/
*http://crmartiins.blogspot.com/
*http://dequecoressoufeita.blogspot.com/
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
Carpe Diem
Decidi levantar-me cedo e dirigir-me para a praia. Vesti-me apressadamente não me preocupando minimamente com a forma como me apresentava, apenas sabia que me sentia bem, feliz.
Corri um pouco, enchendo os pulmões com o ar fresco da manhã. Inspirei fundo e corri um pouco mais depressa, ansiando por inspirar o fantástico cheiro a maresia.
Mais uns passos, uma estrada, mais uma passadeira que me falta atravessar, e... finalmente cheguei.
O cheiro é definitivamente magnífico, deslumbrante, tocante, único. descalcei-me rapidamente e dirigi-me para o areal, a areia fria debaixo dos meus pés amortecia as minhas passadas, enquanto eu os enterrava firmemente procurando afundar-me, uma brisa suave acompanhava-me e o no horizonte viam-se os primeiros raios da aurora.
E ali estava eu, olhando o infinito azul da praia, o belíssimo nascer do sol, arrebatada pela beleza que todos os dias temos oportunidade de observar mas raras vezes nos preocupamos em fazer.
O vento mudou de repente e o lenço que tinha preso ao pescoço voou para longe, como que dançando no ar, acompanhando os movimentos irregulares do vento, dançando, movendo-se de uma forma fluída... Desviei o meu olhar dele e não me preocupei em procurá-lo mais. Avancei para a água gelada e toquei com a ponta do dedo do pé direito numa pequena onda que se enrolava na areia mesmo à minhe frente. A água estava gelada e arrepiou-me apenas com aquele toque.
Ouvi uma inspiração ofegante atrás de mim. Virei-me sobressaltada pois não me tinha apercebido da aproximação deste sujeito pois os seus passos eram abafados pelo areal. Aquele senhor que se apresentava perante mim estava com um ar desalinhado tal como eu deveria estar, e tinha na mão direito o meu lenço, aquele que não me dignei a alcançar.
-Penso que isto é seu. - disse ele.
-Obrigada.
Disse apenas isto e com indiferença voltei a olhar para a magnificente paisagem à minha frente. Não pretendia ofender o senhor que me trouxera o meu lenço de volta mas aquela imagem era bem mais importante que aquela situação mundana.
Naquele instante apeteceu-me mergulhar nas águas límpidas e azuis e assim o fiz. Tirei a camisola e as calças que tão apressadamente vestira e atirei-as ao chão com igual indiferença. Olhei para o desconhecido que me observava confuso e incitei-o a acompanhar-me... Julguei-o abismado com a minha suposta loucura e portanto nada respondeu.
Corri em direcção à água e na fracção de segundo que entre a minha corrida e o mergulho na água fria como gelo sonhei estar noutro lugar, senti-me livre, fugindo às regras impostas pela sociedade e aprovadas por pessoas que não amam a vida, e não descobriram ainda a melhor forma de a viver...
Segundos depois estava dentro de água, nadando livremente, e foi aí que encontrei uma garrafa. Uma pequena garrafa de vidro com uma mensagem encarcerada lá dentro, ou pelo menos, assim parecia...
Decidida a decifrar esta insólita situação saí do mar a tremer, com o cabelo a pingar gotas salgadas que me escorriam por todo o corpo, naquele momento também eu cheirava a mar.
Sentei-me na areia junto do senhor que atónito me olhava, abismado pelo meu comportamento inusual, quem sabe, impróprio.
Peguei na garrafa e abri-a. Continha duas palavrinhas muito simples, em latim, que quase toda a gente conhece: Carpe Diem
Sorri, porque nada mais me restava fazer, sorri porque senti que queria viver o momento, como o fizera impulsivamente naquela manhã, e queria influenciar os outros a fazê-lo. Portanto entreguei o pequeno pedacinho de papel ao senhor ao meu lado:
-Sabe o que significa? - perguntei eu.
-Sim. Vive o momento.
-Acho que devia começar a fazê-lo agora mesmo.
O senhor limitou-se a olhar para mim e de uma forma inesperada levantou-se e correu rapidamente para a água, atirou-se de cabeça para regressar à superfície encharcado, com água a atolar o seu sobretudo... Voltou para a areia e sorriu para mim... E que sorriso aquele.
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
A idade da beleza
As fotos são de Catarina Rocha e o texto é meu.

Este rosto é desconhecido para mim, é como muitas outras pessoas idosas que se cruzam diariamente comigo na rua, e todas aquelas que conheço de vista quando visito os meus avós numa aldeia perdida entre as montanhas.
Não. Não é apenas mais uma idosa que não se consegue distinguir das outras, é uma pessoa genuína, verdadeira, com uma beleza intrigante se ultrapassarmos o ideal de beleza que a sociedade adquiriu nos últimos anos, as modelos extremamente altas e esqueléticas, com uma pele imaculada e muitas vezes sem personalidade, sem história. Perante esses padrões absurdos esta senhora não é sequer digna de um comentário porque há muito que ultrapassou a idade de ser considerada bonita, mas as pessoas que pensam assim enganam-se. A beleza não está confinada às pessoas aparentemente perfeitas, está em todos nós, por mais que isto posso parecer um lugar-comum não o é, é a simples realidade. Esta senhora é linda, e esta fotografia realça-a ainda mais, exalta as suas rugas progundas, os sulcos que lhe marcam a cara, cicatrizes que não pode apagar, porém são traços de beleza, de genuinidade, de sabedoria, seja ela a que pode ter adquirido através dos estudos ou os conhecimentos da vida, provenientes das vivências que marcam agora a sua memória.
Se continuarem a achar esta senhora desinteressante, observem os olhos, profundos, olhos que transmitem esperança, que contam uma história, olhos que decerto choraram, olhos que amaram profundamente, olho que viram a beleza do mundo mesmo que esse pequeno não abrangesse mais que uns meros quilómetros de distância em relação à terra onde viveu, esse seu mundo pequenino e belo, cheio de infinitas possibilidades para ela...
Com certeza viveu o suficiente para ter de enfrentar a guerra, talvez a pessoa que amava tivesse partido para a guerra para não mais voltar, talvez tivesse lutado em casa tratando da família, quem sabe... Esta senhora pode ter sido a rapariga mais bonita da aldeia e agora não ser considerada mais que um trapo velho...
Mas, leitores, esta mulher apenas me transmite esperança com aqueles olhos sábios, o sorriso que teima em aparecer na sua boca marcada pelos anos, a forma com olha directamente para a câmara não temendo os imensos observadores que provavelmente vão olhar para ela, confiante em relação à pessoa que é.
A beleza está nos olhos de quem a vê.
Esta senhora cativa-me, sinto-me tentada a conhecê-la e ouvir a sua história. Talvez o faça, um dia.
O meu eu atormentado

terça-feira, 17 de novembro de 2009
Post inusual (desafio: um pouco de mim em 5 revelações)

Este selo não é propriamente do meu agrado mas passemos à parte importante...
1º-seguir as regras
2º-levar o selo acima que identifica quem está, esteve ou estaráno desafio
3º-completar as seguintes frases:
a)Eu já...
b)Eu nunca...
c)Eu sei...
d)Eu quero...
e)Eu sonho...
4º-depois de completar as frases com as respostas indicar 5 blogs para dar sequência ao desafio
Estas frases aparentam ser simples de completar mas estou a ter certas dificuldades em conseguir reduzir em breves frases as infinitas possibilidades de resposta que consigo encontrar para mim, vou tentar ser o mai fiel a mim própria ao completar...
Eu já vi a dor estampada em muitos rostos diferentes, alguns deles desconhecidos, mas já vi a capacidade do ser humano em criar beleza e felicidade.
Eu nunca vou abdicar de mim mesma, das minha ideias e tudo aquilo que sou, para que seja mais fácil aos outros compreenderem-me e lidarem comigo.
Eu sei escrever as palavras de forma a expressarem os meus sonhos e visões do mundo, ou pelo menos espero saber fazê-lo.
Eu quero ser imortal, permanecendo na memória das pessoas que me conheceram. (Porque mesmo depois de morrermos se no mínimo uma pessoa se recordar de nós é porque marcámos a diferença e continuamos presentes mesmo que não seja fisicamente).
Eu sonho com uma vida perfeita nas imperfeições, uma felicidade imensa e que abranja os que me rodeiam, sonho com os erros que vou cometer apenas porque tive a oportunidade de viver.
E as pessoas a quem lanço o desafio de responderem a estas perguntas:
http://anaabmd.blogspot.com/
http://adilianunes.blogspot.com/
http://crmartiins.blogspot.com/
http://callingyouinsane.blogspot.com/
http://lixolirico.blogspot.com/
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
home. [continuaçao]
Quero ver-te mas a ansiedade, o medo de sofrer, a vulnerabilidade de que fuhira durante anos, a minha própria pessoa, tudo aflorava progressivamente, tudo aquilo que sou, as fragilidades que apenas tu viras surgiram atordoando-me como um relâmpago.
Cheguei. Pelo que consegui saber continuas a trabalhar no mesmo café onde nos conhecemos, aquele com um fantástico piano de cauda em que ninguém toca e tecto com acabamentoa antigos.
As minhas pernas tremem, espero que a ansiedade nao tenha alcançado os meus olhos, ainda.
Vá lá. Só mais um passo.
Fecho os olhos e empurro a porta, a campainhazinha dourada soa e todos olham a porta como o fazem sempre ali, há coisas que nao mudam.
Tu estavas lá. No outro lado da sala. Olhaste para mim com os teus olhos penetrantes, sustive a respiraçao e tive de recordar a mim própria que tinha de respirar. Vi algo no teu olhar. Sorriste. Vi a minha casa, encontrei-a. Encontrei-te.
home.
Mas o que é casa? Onde fica essa casa? Onde é a minha casa?
Já a procurei na cidade barulhenta e atribulada, a constante correria, os sons urbanos... Mas faltava-me ar. Sentia-me presa, presa numa caixa com paredes que tocavam o céu, quase alcançando as nuvens e ocultando o sol.
Procurei na simplicidade bela do campo, com tocas as cores harmoniosamente distribuídas, um silêncio melodioso. Enquanto aí estava subia ao topo da escarpa mais elevada e gritava o teu nome esperando uma resposta tua mas apenas regressava uma voz embargada em dor, era aquela a minha voz?
Lembro-me que foi no campo onde encontrei durante mais tempo a minha casa mas depois de uns longos meses procurando algo, que procurava eu?, parti.
Pela milionésima vez coloquei a minha roupa na reduzida mala que carregava comigo desde o princípio daquela jornada à procura de tudo, à procura de nada...
Atirei tudo despreocupadamente para dentro dela e parti mais uma vez, nao olhando para trás, pensando no próximo destino, paragem onde pudesse encontrar a minha casa...
Nao me vejam como uma pessoa insensível que esquece o seu passado, esquece todos por quem passou, os lugares onde esteve, trago-os todos no meu pulso esquerdo, em forma de amuletos, a caixa da cidade, a montanha do campo, uma caneta de uma outra cidade, uma simples carica e... uma flor. A que me deste há um ano quando eu fugia uma vez mais de mim mesma.
Vou voltar aí, a essa cidade sem nome, talvez seja essa a minha casa, quem sabe ela nao esteve sempre comigo...
Adoro conduzir, observar a mudança constante de cenário, a aproximaçao de um novo lugar, uma nova história, uma página em branco, mas hojr quero ver-te.
Tenho-te escrito todas as semanas desde que parti. Nunca te dei a minha morada, há muito que nao tenho uma, portanto nao sei se as leste ou recebeste.
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
(nenhum título decente para isto nem vontade para tal)
Custa-me aceitar que me vais deixar e terei de continuar a ver-te, sabendo o que sentes, sabendo que sabes o que sinto...
Ainda não te decidiste a dizer as palavras importantes, ainda não atingiste a parte em que te tentas explicar, dizendo que é melhor assim porque não consegues lidar com a situação, comigo, apesar de eu ser tudo aquilo que sou...
Não consigo ouvir mais...
-Precisas de tanto tempo para me deixares desta forma? Não seria mais fácil não prolongar o momento humilhante e doloroso em que me colocaste?
-Desculpa. - limitas-te a olhar o chão...
Tu olhas o chão e eu espero por uma explicação, uma palavra, algo mais que um simples "desculpa" incompleto.
Sinto que entre nós se ergueu um abismo, quero ultrapassá-lo mas as hipóteses de me magoar pelo caminho são ínfimas...
Passam segundos, minutos, horas, e permanecemos iguais, tu olhando o chão e eu olhando-te a ti. Uma lágrima só solta-se do canto do meu olho, quase que imperceptivelmente:
-Porquê?
Olhas-me com os teus belíssimos olhos castanhos e parecem-me iguais, o brilho permaneceu, porque não há ali indiferença?

Dás um passo em frente e agarras-me pelos braços...
-Porquê? - pergunto eu outra vez com a voz a tremer pela tua proximidade inesperada mas tão agradável...
Puxas-me mais para ti e encosto a minha cabeça no teu peito... O que está a acontecer?
-Não consigo. - dizes num suspiro.
-Não consegues o quê?
Os segundos que se seguiram foram os mais dolorosos da minha vida, a resposta que poderia chegar a qualquer momento apunhalar-me-ia e despedaçar-me-ia de tal forma que os pedaços já não poderiam ser recolhidos e devolvidos ao seu lugar, estaria destinada a uma existência incompleta, procurando os estilhaços dispersados nesse momento de dor profunda.
Mas o que ouvi não poderia ser mais inesperado:
-Não te quero magoar porque te amo demasiado, não posso ficar contigo porque tenho medo de me magoar a mim próprio...
-Então simplesmente não faças nada...
Abraço o rapaz cuja fragilidade me enternece e beijo-o...
-Vamos ficar aqui, apenas. Sem fazer nada, sem dizer nada, sem compromissos. Apenas nós.
Os nossos olhares cruzam-se mais uma vez e apenas consigo sorrir... Era capaz de lhe dizer que o amo, mas ainda não...
-Estúpida rapariga. - digo sorrindo.
Ele sorri e aperta-me mais contra ele.
-Estúpida o suficiente para gostar dela.
Nada mais se seguiu, apenas o silêncio reconfortante através do qual se deslocavam palavras imperceptíveis... Apenas o toque dela na minha pele, a certeza de que o amo...
-Aqui vai o momento cliché: amo-te.
-Eu sei.
terça-feira, 10 de novembro de 2009
Alice in Wonderland

Estou a meio de um livro fantástico. Por muitos considerado um mero livro para crianças, escrito por alguém com uma visão contrária e um tanto absurda da realidade, mas o que é a realidade?
Estou a falar de Alice no País das Maravilhas de Lewis Carroll... É muito mais que uma simples história confusa com cenários impossíveis para as pessoas "adultas", improváveis para os que preferem acreditar apenas no que vêem, mas muito real para as pessoas que gostam de sonhar, beber chá com chapeleiros loucos e lebres de Março, falar com gatos que desaparecem e apenas deixam o sorriso para trás momentaneamente suspenso no ar, bebés que se tranformam em porcos, coelhos brancos que andam sempre atrasados, lagartas, ratos, todo o tipo de coisas absurdas e maravilhosas que possam imaginar, não estivéssemos nós a falar do País das Maravilhas.
É um livro que nos obriga a imaginar os locais estranhos onde tudo decorre, as constantes mudanças de tamanho de Alice, as suas tentativas de chamar os loucos à razão, e se repararem no texto estão presentes certas questões pertinentes, como quem será realmente ela mesmo depois de todas as mudanças físicas, passando de um gigante a um pequenino ser de oito centímetros, que como afirma a lagarta nada de insignificante tem esta altura...
É um livro pequenino que lendo apenas umas linhas nos cativa devido à sucessão inesperada de acontecimentos, a imaginação de Carroll em relação às descrições, a facilidade com que tornou uma história aparentemente sem sentido numa das histórias mais conhecidas pelas crianças e adultos... Dêem uma espreitadela no livro e imaginem a pequenina e aventureira rapariguinha como vestido azul, o avental branco, loira, com uma fita no cabelo e à procura de algo de interessante para fazer, algo mais que ouvir uma história vinda de um livro sem gravuras nem diálogos, porque razão se fazem livros sem gravuras nem diálogos?
Percam um pouco do vosso tempo e entrem num mundo magnífico que apenas lhes abre as portas para criarem a vossa própria versão da história. Qual a próxima peripécia de Alice?
Ainda só vou a meio mas tenciono acabar rapidamente e tentar realmente cativar-vos a ler este livro.
domingo, 8 de novembro de 2009
Obrigada pelas memórias
Não sei porque escrevo isto, não sei porque razão decidi escrever algo tão insignificante para ti, para mim, para todos... Mas preciso de guardar as boas memórias fora de mim, da minha mente, da memória afectada progressivamente com o tempo, as memórias a tornarem-se imagens esbatidas, como uma obra-prima que ninguém decidiu tentar restaurar, um momento perdido pelo tempo, trazido pelo tempo e levado pelo tempo, como uma breve aragem de Verão que surge e desaparece repentinamente, arrepiando-nos ligeiramente com a sua passagem, algo que esquecemos, algo apagado automaticamente da memória, mas tudo, tudo o que foi aquilo, tudo o que se passou preciso de recordar... Não sei definir o que tivemos mas preencheu-me, preencheu o vazio em mim, iluminou-me, obrigada por isso... Pelas memórias.
Sem sentido aparente
Apetece-me andar descalça apesar de lá fora o orvalho gelado molhar a relva e o ar não ultrapassar os 10º C, apetece-me deitar lá fora e olhar o céu, ouvir o silêncio, ouvir os sons da cidade, vozes...
Sorrir. Rir. Chorar no meio de gargalhadas descontroladas, até chegar a uma altura em que não me lembro da razão pela qual comecei a rir.
Quero voar, lá bem alto, lembrar-me por instantes dos momentos infantis em que sonhava voar com os pássaros e percorrer o mundo com uma vista privilegiada...
À minha volta não há aquelas cores pastel, cinzentos, pretos, a minha visão hoje está ligeiramente alterada... como se tivesse caído directamente na toca do coelho e tudo à minho volta fosse confuso e sem sentido...
Vejo cores garridas, um mini sol pendurado no tecto, as paredes brancas estão mais coloridas que o arco-íris, um cascata desde a minha janela, animais a falar do lado de lá, onde estou eu?
-Coelho branco, espera aí, onde vais?
-Estou atrasado...
-Espera por mim...
